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Semifinal entre França e Espanha reedita duelo de final olímpica

A final olímpica antecipou o duelo na Copa do Mundo: França e Espanha levam a Dallas 11 jogadores de uma geração construída nos projetos de formação das duas potências

Por admin 13 de julho de 2026 5 min de leitura
Michael Olise, Doué, Koné, Akliouche, Mateta e Cherki foram prata nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e hoje estão no time principal da França - (crédito: Fifa/Divulgação)

O futuro do futebol costuma chegar antes de ser anunciado. Às vezes, aparece em uma final olímpica, veste camisas diferentes e divide o mesmo gramado sem que o mundo perceba o trailer do filme seguinte. Em Paris-2024, França e Espanha disputaram a medalha de ouro. Menos de dois anos depois, 11 jogadores daquela final olímpica voltam a se encontrar, agora em uma semifinal de Copa do Mundo, amanhã, às 16h (de Brasília), em Dallas. O sobrevivente decidirá o título no domingo contra Argentina ou Inglaterra.

Dos 52 jogadores convocados pelas seleções para o Mundial, 11 estiveram na final das Olimpíadas de Paris-2024. Menos de dois anos depois do confronto no Parque dos Príncipes, quando a Espanha conquistou o ouro, e a França ficou com a prata, mais de 21% atletas disponíveis para a semifinal voltam a se encontrar. O dado impressiona, mas não surpreende. É o retrato de dois projetos esportivos perenes.

A semifinal de amanhã representa muito mais do que o duelo entre Kylian Mbappé e Lamine Yamal, entre uma geração consagrada e outra amadurecendo para assumir o protagonismo. França e Espanha leram e interpretaram a exigência do futebol moderno: não basta revelar grandes jogadores. É preciso criar mecanismos capazes de substituí-los sem renunciar à competitividade.

A França perdeu Zidane, Henry, Ribéry, Lloris e Giroud. A Espanha viu partir uma geração liderada por Casillas, Xavi, Iniesta, Busquets, Piqué e Sergio Ramos. Ainda assim, ambas continuaram chegando às decisões do mundo bola. O motivo está menos nos nomes e mais no sistema.

Quando Didier Deschamps observa delegações estrangeiras visitando Clairefontaine, o principal centro de formação da Federação Francesa de Futebol, não nota ameaça. Enxerga reconhecimento. “É muito lisonjeiro e gratificante que outros países venham e vejam. Não estamos aqui para fechar portas”, afirmou o treinador francês. A França está nas semifinais pela quarta vez em oito edições no século. Foi campeã em 2018 e vice em 2006 e 2022. Uma era dourada.

A declaração de Deschamps resume a confiança francesa em um modelo construído ao longo de décadas. Clairefontaine tornou-se símbolo de uma estrutura capacitada para identificar talentos cedo, desenvolver jogadores em um ambiente de excelência e criar uma ponte entre as categorias de base e a seleção principal. Não se trata apenas de formar atletas tecnicamente preparados. Trata-se de formar jogadores lapidados para compreender a responsabilidade de vestir a camisa da França.

Do outro lado, a Espanha seguiu um caminho diferente, mas chegou a uma conclusão semelhante. Luis de la Fuente, treinador da seleção principal, é a personificação dessa continuidade. Passou pelas categorias Sub-19, Sub-21 e pela seleção olímpica. Conhece profundamente a geração responsável por devolver a seleção a uma semifinal depois de 16 anos. A última foi no título de 2010.

“A minha relação com cerca de 90% do elenco atual vem de muitos anos. Conheço alguns deles desde os 10 ou 12 anos. Vivi todas as etapas da evolução deles. Acho que essa é uma das nossas maiores forças”, explica de La Fuente. Nem a medalha de prata contra o Brasil nos Jogos de Tóquio-2020, disputados em 2021, abalou o prestígio do treinador. Ele assumiu o cargo em 2022 e levou o país à conquista da Euro em 2024.

A declaração do treinador revela uma das maiores virtudes do modelo: a seleção principal não começa na convocação. Ela é construída durante anos, dentro de um processo no qual os treinadores acompanham a evolução dos jogadores desde a adolescência. O contraste com outros modelos é evidente. No Brasil, por exemplo, treinadores campeões olímpicos como Rogério Micale (Rio-2016) e André Jardine (Tóquio-2020) não tiveram continuidade dentro da estrutura da seleção principal.

Para De la Fuente, a capacidade técnica dos atletas, embora fundamental, precisa estar inserida na ideia coletiva. “O talento individual não basta para ganhar grandes competições. Você pode ganhar partidas, mas não torneios. O coletivo sempre vem antes do indivíduo”, sustenta.

Trailer

A final de Paris-2024 foi uma fotografia perfeita desse processo. Pela França, seis jogadores presentes na decisão olímpica fazem parte do grupo da Copa do Mundo: Michael Olise, Désiré Doué, Manu Koné, Maghnes Akliouche, Jean-Philippe Mateta e Rayan Cherki. A Espanha tem cinco: Joan García, Pau Cubarsí, Marc Pubill, Eric García e Álex Baena. Onze jogadores. Um quinto dos convocados das duas seleções.

A Olimpíada deixou de ser apenas uma competição de desenvolvimento. Para França e Espanha, tornou-se uma etapa de preparação para o futebol de elite. Paris não foi um acaso, mas, sim, consequência.

 

 

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