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Cultura

O instigante livro de Marcelino Fonteles

Por Redação 2 de fevereiro de 2023 4 min de leitura

Conheço o professor Marcelino Fonteles há muito tempo e da última vez que nos vimos foi no lançamento de seu livro “Educação Popular e Novo Sindicalismo Brasileiro: utopias e distopias”, na cidade de Pedro II, em 2019, antes da pandemia por Covid 19. Foi uma noite aprazível no Memorial Tertuliano Brandão Filho ao lado de amigos e amigas em comum do ‘movimento popular’.

 

Evidentemente que num espaço tão exíguo como é o de uma coluna, não temos a pueril intenção de, sequer, fazer uma resenha aprofundada do livro do professor, mas tão somente pinçar dois ou três pontos dentre vários para comentarmos.

Mestre em Educação, especialista em ‘Gestão Pública’ e também em ‘Educação em Direitos Humanos’, licenciado em ‘Ciências Sociais’, Marcelino leciona no IFPI (Instituto Federal do Piauí) na cidade de Teresina. O livro é dedicado a Lula da Silva ‘nordestino arretado e melhor presidente da história do Brasil’, como está lá escrito.

Nesse trabalho Marcelino procura mapear, identificar e jogar alguma luz em dois polos que dialogam entre si, a ‘educação popular’ e o ‘novo sindicalismo brasileiro’ num recorte feito pelo autor que compreende o período entre 1980 a 2002 da atuação de dirigentes da CUT (Central única dos Trabalhadores). Nesse ponto, chamamos atenção para as falas de antigo(a)s dirigentes sindicais do estado do Piauí, dentre elas Regina Sousa. O autor, com a honestidade intelectual que lhe é própria, nos apresenta, como indica o subtítulo do livro, utopias e distopias acerca do tema.

Composto por uma introdução seguida por cinco capítulos, mais as referências, o livro do professor Marcelino examina em 122 páginas as bases do ethos do novo sindicalismo e suas conexões com a ‘Educação Popular’. Para tanto, apresenta uma sucinta cronologia da História do País desde o Coronelismo até os dias atuais (2002); em seguida examina com lupa o ‘novo sindicalismo’, expõe visões de seus protagonistas e fecha o texto com suas considerações finais.

Ao afirmar que as decisões político-econômicas do Brasil sempre foram tomadas preponderantemente pela elite política e econômica até à chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder em 2003, o autor atribui a esse fato histórico uma relevância que estaria ainda a merecer análises mais acuradas do(a)s analistas.

Marcelino dialoga com alguns teóricos das ciências sociais, ao longo das páginas do livro, dentre eles Marx, Adorno, Frei Beto, Paulo Freire, Boff, Gramsci.

Contudo é o brasilianista Skidmore, que segundo o autor, atribuiu a existência de três sujeitos históricos responsáveis pela ‘virada de esquerda’ (o termo é meu): as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), as associações de bairro e o novo sindicalismo.

Uma das perguntas-guia que o professor faz é: ‘qual a participação da educação popular não formal na constituição desses sujeitos históricos?”. O método de pesquisa de que Fonteles fez uso é o qualitativo com consultas às documentações das entidades pesquisadas, além de entrevistas guiadas.

Em que pese o fato de ser um livro cujo texto (como não poderia deixar de ser) foi escrito em linguagem científica, seu autor consegui prender a atenção do(a) leitor(a) pela maneira ágil e inteligente como costura suas ideias.

Livro: Educação Popular e Novo Sindicalismo Brasileiro: utopias e distopias. Teresina: Quimera Editora, 2019, 122p.:Il. ISBN: 978-85-67147-33-8, (projeto gráfico: Área de Criação, foto do autor: Jorge H. Bastos, Impressão: Gráfica do Povo, ficha catalográfica: Gleydson Santos).

Ernâni Getirana (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É autor de “Debaixo da Figueira do Meu Avô”, dentre outros livros. Escreve para esta coluna às quintas-feiras. É o proprietário do espaço cultural “Toca das Lendas”, na cidade de Pedro II.

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