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Cultura

Raimundo Rima, sim, com mundo e é uma solução

Por admin 7 de julho de 2022 3 min de leitura

Não faz um mês que por dez dias seguidos o vi, pelo Face Book, participando ativamente do XX SALIPI – Salão do Livro do Piauí. Antes disso, ele estivera no Salão do Livro de Fortaleza. Por esses dias está postando todo santo dia fotos suas na Bienal do Livro, em São Paulo. Um verdadeiro homem-ilha cercado de livros e amigo(a)s por todos os lados. Devido à pandemia ainda não tive o prazer de papear longamente com esse livreiro, poeta, escritor, cordelista e professor que atende pelo nome de Raimundo Clementino.

Mantivemos há algum tempo um contato telefônico por uns cinco minutos durante o qual falamos mal da distribuição de livros no Piauí, criticamos a falta de espaços culturais nas mídias tradicionais e expusemos a vontade recíproca de virmos a fazer algo em termos de livro.

Clementino, ao que sei também, foi bancário, mas abandonou o balcão do banco pelo balcão de livreiro. Quase sempre que o vejo nas redes sociais está postando algum novo livro de sua lavra: ‘O Pequeno Príncipe em Cordel’, ‘Durrundim’, ‘Ser ou Não Célular?’, ‘Futebol de Vida’, “Senhora Nacif”, dentre os mais de quinze que já publicou.

Há, contudo, uma ‘menina dos olhos’ desse autor que merece todo o nosso respeito e admiração. Trata-se da publicação ‘THERESRINMA’, que segundo o próprio Clementino trata-se de um ‘painel poético’ que já está em sua 177ª edição. Editado, claro, pela editora/gráfica do próprio autor e que se chama RIMA. O poeta mete um verso nessa história e diz: “Ser poeta é namorar com as palavras”.

Membro da COCHACOR – Cordelaria Chapada do Corisco, da qual também fazem parte outros tantos poetas como Marina Campelo, Joaquim Mendes Joames, Josefina Ferreira e José Edimar; Raimundo Clementino vem construindo uma bela carreira literária ao mesmo tempo em que não abre mão de ser livreiro e gráfico. A literatura corre em seu sangue e ele a defende como poucos.

Aliás, por falar em literatura piauiense (como gosta de denominá-la a professora e estudiosa Jasmine Malta), esta não para de ramificar-se. E não estamos nos reportando apenas a seus escritores e escritoras. Há pesquisadores devotados sobre essa temática, dentre os/as quais citaríamos a própria Jasmine Malta, Carlos Evandro, Cineas Santos, Lilásia Castelo Branco, Luís Romero, Raimunda Celestina, Adrião Neto, todos na ativa. (Fechemos o parágrafo e voltemos ao nosso livreiro).

Raimundo Clementino certamente lê Drummond e quando chega no ‘Poema de Sete Faces’, lá pelas tantas quando se lê: ‘Mundo mundo vasto mundo/Se eu me chamasse
Raimundo/Seria uma rima/Não seria uma solução […]” Clementino deve abrir um largo sorriso e pensar “não sei não, não sei não, seu Carlos …”.

Ernâni Getirana é professor, poeta e escritor. É autor, dentre outros livros, de “Debaixo da Figueira do Meu Avô”. Escreve para esta coluna às quintas-feiras. Facebook/instagram: ernanigetirana

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