Conforme a representação, Ciro Nogueira atuaria no âmbito do Senado Federal, se valendo de sua posição institucional para exercer influência política e defender os interesses de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal aponta, em representação encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dava “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas.
Como exemplo de tratamento, a Polícia Federal cita “o custeio de suíte do tipo ROYAL, no luxuoso hotel HYATT, em Nova Iorque”, nos Estados Unidos.
Conforme a representação, Ciro Nogueira atuaria no âmbito do Senado Federal, se valendo de sua posição institucional para exercer influência política e defender os interesses de Daniel Vorcaro.
De outro, segundo a PF, o dono do Banco Master ofereceria vantagens indevidas, materializadas, entre outras formas, no pagamento periódico de “mesados”, na aquisição de participações societárias com expressivo desconto, bem como no “custeio de viagens internacionais de elevado padrão e outros benefícios econômicos”.
“Nesse contexto, o que se verifica é que da relação profissional espúria e marcada por típico mutualismo ilícito derivou o vínculo pessoal descrito na IPJ, o qual se apresenta como consequência – e não como causa – da associação funcional mantida entre os investigados”, diz a representação da PF.
As informações constam na representação da Polícia Federal encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, que teve o sigilo derrubado nesta terça-feira (16).
Segundo os investigadores, as vantagens de Vorcaro ao senador incluiam:
- despesas de viagens internacionais, incluído o uso de jatos particulares, hotéis de luxo, restaurantes, entre outros itens;
- pagamento periódico de valores mensais no valor de R$ 300 mil, podendo chegar a R$ 500 mil;
- aquisição de participações societárias com expressivo deságio.
Além disso, também foi identificado atuação do parlamentar praticada por Ciro Nogueira em benefício de interesses particulares de Daniel Vorcaro, “dissociada da representação dos interesses da coletividade ou do Estado por ele representado”.
“A mais relevante atuação do senador em prol dos interesses do Banco Master foi a apresentação da Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, propondo ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante”, afirmou a PF.
“A proposição legislativa detinha aptidão concreta para ampliar significativamente os negócios da instituição financeira vinculada ao grupo investigado, ao passo que transferia risco relevante ao Fundo Garantidor de Créditos, evidenciando potencial externalização de prejuízos ao sistema”.
Viagens internacionais
Conforme a PF, as vantagens indevidas pagas por Daniel Vorcaro a Ciro Nogueira não se encerravam apenas no custeio de voos em jatos particulares, alguns eram parte de um pacote completo de “mimos”.
Entre os destinos estão: Paris (França), Nova York (Estados Unidos), Lisboa (Portugal) e a Courchevel, famosa estação de esqui nos alpes franceses.
Os comprovantes identificados demonstram que o custeio de hospedagem na suíte Royal de um hotel em Nova York custou US$ 47,7 mil.
“O montante efetivamente pago por Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira em despesas de viagens internacionais, incluído o uso de jatos particulares, hotéis de luxo, restaurantes, entre outros itens ainda está em apuração, mas supera, com facilidade, a quantia de R$ 500 mil, num cálculo extremamente conservador, ressaltando, mais uma vez, que citados pagamentos guardam relação direta com a atuação parlamentar de Ciro Nogueira em prol dos interesses financeiros de Daniel Vorcaro”.




