Teresina • terça-feira, 25 de agosto de 2026
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Impactos dos algoritmos e da inteligência artificial sobre a democracia são discutidos no TCE-PI

Por admin 25 de agosto de 2026 4 min de leitura

O poder dos algoritmos e da inteligência artificial e os impactos que eles podem provocar sobre a democracia, a informação e a formação da opinião pública estiveram entre os principais pontos abordados no segundo dia da IV Conferência Diálogos com o Futuro, realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) para marcar a passagem dos seus 127 anos de criação. A palestra de encerramento foi apresentada pelo advogado-geral da União, ministro Jorge Messias e mediada pelo conselheiro do TCE-SP, Maxwell Vieira. A conferência reuniu autoridades, especialistas e integrantes de instituições públicas para discutir os desafios que o avanço tecnológico impõe à sociedade e às instituições.

Ao tratar dos algoritmos, o ministro chamou atenção para a influência cada vez maior dessas ferramentas sobre aquilo que as pessoas veem, ouvem e consomem na internet. A preocupação, segundo Messias, não está apenas na tecnologia em si, mas no poder que os sistemas algorítmicos podem exercer sobre o comportamento social e sobre o debate público.

A capacidade dos algoritmos de selecionar e direcionar conteúdos pode criar ambientes em que o usuário passa a receber predominantemente informações que confirmam suas próprias opiniões. Esse mecanismo pode favorecer a polarização, dificultar o acesso a diferentes pontos de vista e ampliar a circulação de conteúdos falsos ou manipulados. A discussão ganha importância especialmente no campo democrático. A influência sobre a informação e sobre a formação da opinião pública representa um desafio para instituições que têm entre suas responsabilidades a proteção do Estado de Direito e dos direitos fundamentais.

A procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo, Élida Graziane, doutora em Direito Administrativo, em palestra anterior defendeu a necessidade da regulação do uso da inteligência artificial, pois existe o risco de que poucas big techs exerçam a governança mundial a partir do controle dos algoritmos. Ela acredita que a sociedade só terá algum controle se acontecer o letramento digital de toda a sociedade, tanto dos adultos quanto das crianças de hoje, que precisam ser capacitadas desde cedo. Ela fez um apelo para que os tribunais de contas entrem nessa luta, tanto defendendo a Educação de Jovens e Adultos, quanto fomentando os cursos técnicos e tecnológicos. A mesa foi presidida pelo procurador-geral do MPC-PI, Leandro Maciel.

Também falando sobre IA e Educação, o ex-ministro Victor Godói, em mesa presidida pela conselheira Flora Izabel, quando a ferramenta surgiu a primeira reação foi de pânico e hoje já existe a consciência de que é preciso mudar, saber como aprender a usar. Para ele, a revolução educacional que a IA pode proporcionar não está na sua capacidade de responder a qualquer pergunta que for feita, mas na nossa capacidade de usá-la para formular perguntas melhores, ampliar a atuação e formar estudantes mais críticos, pois ela nunca vai substituir os professores, mas poderá ser uma espécie de tutor disponível 24 horas por dia para tirar dúvidas.

Na palestra seguinte, mediada pelo advogado Flavio Borgheresi, o presidente do Instituto Butantan, Esper Kallás, apresentou a instituição e o seu portfólio de vacinas, ressaltando o salto que o Brasil tem dado no setor e afastando de vez a dependência externa na imunização da população em uma possível nova pandemia. Ele disse que a instituição vem incorporando tecnologias de outros laboratórios, mas vem também desenvolvendo tecnologias nacionais e agora está incorporando a Fundação Remédio Popular, cuja fusão já foi autorizada pelo legislativo de São Paulo e recebendo mais recursos. “Um povo não vai conseguir seu desenvolvimento se não investir em ciência, pesquisa e conhecimento. E nesse caso da saúde isso é fundamental”, disse.

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