O mercado brasileiro de automóveis usados manteve uma trajetória de aquecimento durante o primeiro semestre de 2026. Segundo o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a evolução dos preços de veículos leves seminovos e usados no país, houve um acúmulo de alta de 3,49% entre janeiro e junho.
O desempenho supera o avanço de 1,98% registrado no mesmo período do ano passado. Apenas no mês de junho, o indicador subiu 0,57%, apresentando uma aceleração em relação aos 0,43% observados em maio, embora permaneça abaixo da média registrada no primeiro trimestre (0,72%). Nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 6,87%.
O aumento dos preços foi registrado em todas as regiões brasileiras, com destaque para o Sudeste, que apresentou a maior variação mensal em junho (0,83%), enquanto o Centro-Oeste registrou a menor alta no período, com 0,32%. A tendência de alta atingiu todos os 27 estados. Minas Gerais liderou o movimento nacional no mês, com um aumento de 1,64%, enquanto o Mato Grosso do Sul teve a variação mais moderada, com 0,09%.
De acordo com Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, os números apontam para um setor resiliente, que começa a dar sinais de acomodação. “O mercado de usados continua em trajetória de valorização, mas em ritmo menos intenso. A leve desaceleração da taxa acumulada em 12 meses sugere que os preços permanecem pressionados, embora já com sinais de acomodação na margem”, avalia.
A composição do mercado está cada vez mais seletiva. Em junho, os modelos que mais pressionaram o índice para cima foram o Renault Kwid, o Volkswagen Fox e o Chevrolet Onix. Em contrapartida, modelos como o Honda HR-V, o Volkswagen T-Cross e o Hyundai HB20 ajudaram a segurar o indicador, exercendo pressão negativa. Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, reforça que o comportamento do setor está menos uniforme. “A valorização dos usados continua presente, mas depende cada vez mais das características de cada modelo e das dinâmicas regionais. O mercado tem sido menos homogêneo e mais sensível às preferências dos consumidores”, diz.
O levantamento também destaca uma diferença acentuada de acordo com o tipo de motorização, com os veículos elétricos enfrentando uma desvalorização mais expressiva. Modelos elétricos lançados em 2023 acumulam uma queda de 46,1% em seu valor até junho de 2026. Esse movimento é impulsionado por fatores como a redução nos preços dos veículos zero quilómetro, o aumento da concorrência e estratégias agressivas das montadoras para conquistar mercado. Para efeito de comparação, no mesmo grupo de lançamentos de 2023, os modelos híbridos acumulam desvalorização média de 26,1%, enquanto os automóveis a combustão registraram perda de valor de 19,6%. Em veículos lançados em 2022, a disparidade é ainda maior: a desvalorização média dos elétricos chega a 50,5%, frente a 13,2% dos modelos a combustão.




