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PF faz operação contra esquema de bets ilegais que usava 87 empresas ‘laranjas’ e criptomoedas, diz jornal

Segundo a Polícia Federal, organização utilizava empresas "laranjas" para movimentar recursos de bets ilegais e enviar valores ao exterior

Por admin 6 de julho de 2026 3 min de leitura
PF faz operação contra esquema de bets ilegais que usava 87 empresas 'laranjas' e criptomoedas Foto: Divulgação/PF / Estadão

A Polícia Federal realiza, nesta segunda-feira, 6, a Operação Véu de Maia com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionado à exploração clandestina de apostas de quota fixa, conhecidas como “bets”. De acordo com as investigações, a organização utilizava uma rede de 87 empresas para movimentar recursos de operadores ilegais e também é suspeita de enviar milhões de reais ao exterior por meio de criptomoedas. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

A investigação teve origem em informações repassadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda. O órgão identificou um grupo de empresas que, segundo as apurações, atuava como “laranjas” para ocultar a origem dos recursos e viabilizar a movimentação financeira de plataformas de apostas sem autorização.

Como parte da operação, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, em endereços localizados nas cidades de Aparecida de Goiânia e Goiânia, em Goiás; São Paulo e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo; Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul.

A operação recebeu esse nome em alusão ao conceito hindu do “Véu de Maya”, que representa a ilusão da realidade. Na filosofia védica, a expressão simboliza aquilo que encobre a verdadeira natureza das coisas, levando as pessoas a verem apenas uma aparência enganosa do mundo.

As chamadas apostas de quota fixa são aquelas em que o apostador conhece, no momento em que registra seu palpite, a cotação (“odd”) oferecida pela plataforma. Com isso, é possível saber antecipadamente qual será o valor do prêmio em caso de acerto.

Dados apresentados em junho pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, apontam que cerca de 25,2 milhões de brasileiros utilizam casas de apostas ilegais. Pelas estimativas do governo federal, essas plataformas geram perdas econômicas de aproximadamente R$ 38,8 bilhões por ano, sendo que cerca de 80% desse montante está associado a impactos na saúde.

O governo federal também calcula que entre 41% e 51% das plataformas de apostas online em funcionamento no país atuem sem autorização.

Hoje, 187 plataformas contam com autorização do Ministério da Fazenda para oferecer esse tipo de serviço em todo o território nacional. Além delas, há empresas credenciadas para operar apenas em determinados estados, como Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Paraíba.

Ao fim da investigação, os envolvidos poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e outras infrações que eventualmente sejam identificadas durante o andamento do inquérito.

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