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PF encontra cerca de R$ 2 milhões dentro de piano na casa de auditora envolvida em esquema no Porto do Rio

Segundo as investigações, a auditora e outros servidores recebiam propina para facilitar a entrada de mercadorias

Por admin 29 de abril de 2026 3 min de leitura
A quantia foi localizada durante a Operação Mare Liberum, realizada nesta terça-feira, 28 Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Federal (PF) encontrou cerca de R$ 2 milhões escondidos dentro de um piano na casa de uma auditora fiscal da Receita Federal, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A quantia foi localizada durante a Operação Mare Liberum, realizada na terça-feira, 28. 

Segundo as investigações, a auditora e outros servidores recebiam propina para facilitar a entrada de mercadorias no Porto do Rio. A ação integrada entre PF, Receita Federal e o Ministério Público Federal cumpriu 45 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio e Vitória, no Espírito Santo.

Além do dinheiro escondido no piano, as buscas resultaram em outras apreensões consideradas expressivas. Na casa de um auditor, em Niterói, tinha US$ 358 mil (R$ 1,7 milhão), e mais US$ 200 mil (R$ 997 mil) foram apreendidos em um terceiro endereço.

Ao todo, a Justiça afastou 18 auditores e 7 analistas tributários. A investigação começou a partir de uma denúncia e chamou a atenção da Receita o fato de serem servidores antigos que faziam parte do grupo.

Segundo a PF, o esquema envolvia a liberação irregular de contêineres com mercadorias que, muitas vezes, eram diferentes das declaradas à Receita no momento da importação. A prática, de acordo com os investigadores, envolvia fraudes e pagamento de propina para reduzir o valor de impostos pagos pelas empresas.

“Os números apurados evidenciam a gravidade do caso: foram identificadas quase 17 mil Declarações de Importação (DI) potencialmente contaminadas por irregularidades, correspondendo a cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias no período de julho de 2021 a março de 2026, uma das maiores operações de combate à corrupção aduaneira da história recente do país”, afirma a Receita Federal.

O esquema funcionava a partir de um padrão reiterado de manipulação dos controles aduaneiros. Mercadorias importadas informadas nas Declarações de Importação selecionadas para os canais de maior rigor (vermelho e cinza) eram desviadas e liberadas indevidamente, mesmo após a identificação de inconsistências graves entre a carga física e os dados declarados.

A investigação mapeou três frentes de atuação da organização. A primeira era o desembaraço direto de mercadorias parametrizadas nos canais vermelho e cinza, ignorando inconsistências e exigências legais. 

A segunda envolvia o setor de óleo e gás (admissão temporária), com a criação de procedimentos artificiais para liberar embarcações e outros equipamentos sem a devida previsão na legislação aduaneira, favorecendo indevidamente empresas privadas, mediante propina. 

A terceira frente consistia em recebimento de vantagens indevidas pagas por operadores portuários.

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