A palavra ‘eclipse’ vem do grego ‘ekleipsis’, e significa ‘ação de desaparecer’. O termo usado em astronomia, que é a ciência que estuda os astros, significa, precisamente, fenômeno segundo o qual acontece o desaparecimento parcial ou total de uma estrela (lua, etc.) devido à interposição de outro corpo celeste diante dos olhos do observador.
O eclipse total da Lua acontece quando a Terra, em rota de translação, fica entre o Sol e a Lua, isso faz com que nosso planeta projete seu cone de sombra sobre nosso satélite cobrindo totalmente, o que faz com que, por alguns minutos, a Lua ‘desapareça’ do céu. O eclipse lunar total só ocorre na lua cheia.
A vermelhidão, por sua vez, deve-se a um efeito óptico. Quando a luz do sol bate na superfície da Lua e é refletida para o espaço, parte dessa luz (de cumprimento de onda curto), ao passar pela atmosfera da Terra, é dispersada, espalhada, como o azul. Apenas as ondas de luz de maior comprimento (como o vermelho) são refratadas de volta para Lua. Daí ‘Lua de Sangue’.
No passado os eclipses eram ‘recebidos’ como uma mensagem dos deuses. Aos poucos alguns sacerdotes da Antiguidade conseguiram calcular mais ou menos os períodos nos quais deveriam ocorrer os eclipses. Isso dava muito poder a eles. Eram temidos e respeitados. Para os chineses os eclipses ocorriam porque um dragão a engolia e depois punha para fora.

O dragão chinês, o Loong, é uma figura mítica que simboliza boa sorte, força, sabedoria, prosperidade, bondade, nobreza, coragem e beleza e os eclipses previam o futuro do imperador.
Os estudos de Ali Qushji, Muhammad al-Qunawi, Takiuddin, Kepler, Galileu e Newton nos explicaram matematicamente como e porque os eclipses acontecem.
Assim, a Lua de Sangue, traz uma grande oportunidade a astrônomos de todo o mundo para estudarem em detalhes as leis da óptica. Para nós, poetas e fotógrafos, para todos e todas, a madrugada desta sexta–feira nos presenteará com a oportunidade ímpar de sentirmos a poesia trazida por um eclipse lunar total.

ERNÂNI GETIRANA (ernanigetirana12@gmailcom) é professor, poeta e escritor. Membro das academias ALVAL e APLA (da qual é o atual presidente), pertence à UBE, IHGPI e aos coletivos literários Amigos da Literatura e Coletivo Literário de São Benedito, CE, é membro fundador do Coletivo P2. Autor de diversos livros, dentre eles “Lendas da Cidade de Pedro II” e (Livraria Entrelivros e Tenda da Cruviana). Escreve às quintas-feiras para o Portal News Piauí.




