A primeira-dama Janja Lula da Silva manifestou solidariedade à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) após os ataques direcionados às duas nas redes sociais em meio à crise interna do campo bolsonarista. Para Janja, a defesa das mulheres deve ocorrer independentemente de “diferenças políticas ou ideológicas”.
A declaração foi feita em entrevista à Folha de S.Paulo e ao UOL, semanas após Michelle tornar público um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em vídeo divulgado nas redes, a ex-primeira-dama relatou ter sido desrespeitada e “humilhada” pelo enteado durante discussões sobre as articulações do PL para as eleições de 2026. O episódio expôs divergências internas no partido e levou aliados de Michelle, entre eles Damares Alves, a saírem em sua defesa.
Ao comentar o caso, Janja ressaltou que a violência e os ataques direcionados às mulheres ultrapassam disputas partidárias.
“Primeiro, total solidariedade a elas, qualquer mulher agredida não pode soltar a mão, não importa qual é o campo ideológico dela. É importante que se fale isso. No Pacto Nacional do Feminicídio, falo isso: a misoginia não tem lado. Não tem direita, nem esquerda, conservador ou progressista, é uma onda que vem de todos os lados e atinge todas nós igualmente”, afirmou.
PL da misoginia
A primeira-dama também afirmou que setores mais conservadores podem estar passando a perceber com maior clareza situações de violência de gênero a partir da repercussão do episódio. Segundo ela, o debate deve alcançar mulheres de diferentes perfis sociais, religiosos e políticos.
“A gente se identifica com isso (campo progressista), a gente sabe disso, talvez as mulheres mais conservadoras começaram a entender mais isso a partir desse fato. 43% das mulheres vítimas de violência são evangélicas. Isso é algo que precisamos falar, não estamos falando de religião, se você reza ou não, todas nós podemos ser vítimas nesse momento. Isso que aconteceu só reforça (a necessidade da) aprovação do PL da Misoginia”, afirmou Janja.
A fala ocorre em meio à discussão do chamado PL da Misoginia, proposta já aprovada pelo Senado e que aguarda análise do plenário da Câmara dos Deputados. O texto busca incluir a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação previstos na legislação brasileira, ampliando mecanismos de punição para condutas motivadas por ódio ou aversão às mulheres.




