Teresina • sexta-feira, 29 de maio de 2026
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Pacheco descarta candidatura em MG e diz que sairá da política em 2026

Senador afirma ter "desapego ao poder" e nega interesse em vaga no STF ou no TCU; PT busca alternativas para o palanque de Lula no estado

Por admin 29 de maio de 2026 4 min de leitura
Rodrigo Pacheco, senador mineiro (PSB) Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) anunciou nesta sexta-feira (29) que não disputará o governo de Minas Gerais e que pretende encerrar sua trajetória na política ao fim deste ano, quando termina seu mandato no Senado.

Em evento com empresários em São Paulo, o ex-presidente do Congresso afirmou que a decisão estava tomada desde que deixou a presidência do Senado e que a comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sem que houvesse novidade.

“Há o fechamento do ciclo na política que eu decidi fazer com o sentimento de dever cumprido”, disse Pacheco. O senador afirmou ter “desapego ao poder” e que já vinha “programando” sua retirada da vida pública.

Perguntado sobre a reação de Lula, o senador disse acreditar que o presidente saberá compreender a decisão. “Eu não estou desistindo de uma candidatura. Eu havia decidido não ser candidato”, afirmou.

Pacheco também descartou qualquer interesse em cargos no Judiciário ou em órgãos de controle. Ele negou pleitear uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afastou a possibilidade de assumir uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). “Não há essa perspectiva, não há sequer a vaga”, disse.

O senador afirmou ainda ter sido colocado “involuntariamente” no centro da disputa em torno da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União rejeitado pelo Senado, e negou ter articulado a resistência ao nome.

A saída de Pacheco deixa o grupo aliado ao governo federal sem candidato definido para um dos estados mais disputados do ciclo eleitoral de 2026. Minas Gerais é considerado palanque estratégico para a reeleição de Lula, e a definição de um nome para o governo estadual deve pautar as articulações políticas nas próximas semanas.

O próprio Pacheco citou possíveis alternativas. O senador avaliou o empresário Josué Gomes da Silva, filho do José Alencar, vice de Lula nos dois primeiros governos do petista, como “um bom nome”, mas afirmou que a escolha da candidatura deve ser feita “em um momento oportuno”.

Também mencionou Jabas Soares e Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, como nomes de qualidade para ocupar espaços que deixará no cenário político mineiro.

Para tratar do impasse, o presidente do PT, Edinho Silva, viaja a Belo Horizonte neste sábado (30) para reuniões com partidos aliados e com o pré-candidato ao governo Alexandre Kalil (PDT). O objetivo é avaliar a possibilidade de reeditar a aliança que Kalil fez com Lula em 2022.

“O declínio da candidatura do Rodrigo Pacheco gerou um problema para nós, evidente, porque acreditávamos na candidatura dele”, admitiu Edinho a jornalistas.

O presidente do PT confirmou que Marília Campos segue pré-candidata ao Senado e que qualquer mudança de tática eleitoral passará pelo PT mineiro. Edinho também sinalizou abertura para conversar com o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), cujo nome passou a circular entre uma ala do partido.

“Nós estamos querendo conversar com o MDB em todos os estados do Brasil. Se o Gabriel quiser dialogar conosco, nós vamos dialogar”, afirmou.

Soberania e segurança

No mesmo evento, os discursos foram marcados por críticas à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, medida anunciada após a visita do pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) ao presidente americano Donald Trump.

A pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), afirmou que a medida impactará primeiro “os amigos de quem foi fazer esse tipo de proposta”.

Edinho Silva também criticou a iniciativa e relembrou o tarifaço imposto pelo governo Trump no ano passado, associando o episódio à atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Mais uma vez a família Bolsonaro, em vez de defender os interesses do povo brasileiro, está defendendo os interesses americanos”, disse.

 

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