Teresina • quarta-feira, 30 de setembro de 2026
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Desenrola 3 deve comprar R$ 157 bilhões em dívidas, afirma Lula

Presidente diz que governo pretende negociar débitos de quem ganha até R$ 10 mil e defende ampliar atendimento do SUS a pessoas com vício em apostas

Por admin 30 de setembro de 2026 4 min de leitura
Lula relacionou o endividamento das famílias ao avanço das apostas on-line - (crédito: Reprodução )

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou, nesta quarta-feira (30/9), sobre a criação de uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, que chamou de “Desenrola 3”, mas disse preferir o nome “Recomeçar”. Segundo ele, a proposta prevê que o governo compre até R$ 157 bilhões em dívidas de pessoas com renda de até R$ 10 mil, em uma iniciativa que busca aliviar o endividamento das famílias brasileiras.

Em entrevista a podcast com influenciadores digitais, no Palácio da Alvorada, Lula afirmou que o total de dívidas considerado na proposta chega a R$ 300 bilhões. A intenção, de acordo com o presidente, é realizar um leilão entre os bancos para adquirir os débitos com descontos que, segundo ele, podem chegar a 95%. “Vamos comprar dívidas de quem ganha até R$ 10 mil. Nós vamos fazer um leilão da dívida em todos os bancos e vamos comprar. Nós achamos que vamos ter um desconto de 95%”, declarou.

Pelo modelo descrito por Lula, após a compra da dívida, o cidadão receberia em casa a informação de que o débito foi quitado, mas ainda teria de pagar os 5% restantes. O presidente afirmou que a medida busca permitir que as pessoas reorganizem a vida financeira.

Durante a entrevista, Lula relacionou o endividamento das famílias ao avanço das apostas on-line e relatou o caso de um funcionário do Palácio da Alvorada a quem emprestou R$ 24 mil para quitar uma dívida. Segundo o presidente, ele descobriu nesta semana que o homem acumulou um novo débito de R$ 190 mil e estaria pagando juros de 20% ao mês. “Como é que você pode permitir que o povo brasileiro fique numa situação dessa?”, questionou.

Combate ao vício em apostas

O presidente também criticou as empresas de apostas on-line e afirmou que o Estado precisa impedir que famílias comprometam recursos destinados a despesas essenciais, como alimentação e educação dos filhos. “Eu quero tirar o dinheiro do leite, o dinheiro do pão, o dinheiro da merenda escolar das crianças para jogar”, disse.

Lula afirmou que, em conversas com a população, tem perguntado se as pessoas querem o fim das bets. Segundo ele, a reação predominante é favorável à medida, com exceção de pessoas viciadas em apostas e de quem ganha dinheiro com a atividade.

Questionado sobre a possibilidade de as empresas voltarem a operar caso ele não vença a eleição, o presidente disse duvidar desse cenário. Ele também criticou a influência de pessoas que, segundo ele, incentivam o público a apostar.

Para Lula, o problema exige uma resposta também na área da saúde. O presidente classificou a ludopatia — transtorno relacionado ao comportamento de apostar — como uma doença e afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) precisará ampliar a assistência às pessoas afetadas. “Nós vamos ter que preparar o SUS para atender essas pessoas. Inclusive, atender à distância, atender, sabe, teleconsulta, sabe, por telefone, pela internet, para a gente colocar psicólogo para cuidar dessas pessoas”, afirmou.

Lula relatou ainda o caso de uma mulher que, segundo ele, acumulou uma dívida de centenas de milhares de reais e escondia do marido que passava as noites apostando. Para o presidente, situações como essa demonstram a gravidade do problema e a necessidade de atuação do poder público. “É grave na área da saúde. É grave. Então não tem brincadeira com isso”, declarou.

Presidente critica gastos do futebol

Na entrevista, Lula também questionou a relação entre o endividamento das famílias e os gastos dos clubes de futebol com jogadores. Ele lembrou que o governo já permitiu que os times se organizem como empresas e criticou a possibilidade de recursos que deveriam atender às necessidades básicas da população serem destinados ao pagamento de salários elevados no esporte. “O que não dá é pra gente aceitar que o pobre tem que tirar o leite da criança pra dar pro time, pra pagar um jogador que ganha três, quatro milhões por mês”, afirmou.

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