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Ciro Nogueira, Motta, Alcolumbre, Jaques Wagner: caso Master avança sobre políticos; veja o que se sabe

Quebra de sigilo de processos e nova operação expõem políticos tanto de oposição quanto de governo

Por admin 18 de junho de 2026 5 min de leitura
Da esquerda para a direita: Ciro Nogueira (PP-PI), Hugo Motta (Republicanos-AP), Davi Alcolumbre (União-AP) e Jaques Wagner (PT-BA) Foto: Montagem: Senado Federal, José Cruz/Agência Brasil e Jefferson Rudy/Agência Senado

Nos últimos dias, o caso Master voltou a provocar abalos no mundo político – e, dessa vez, os impactos recaem tanto sobre a oposição quanto sobre o governo. Com a retirada do sigilo de processos no Supremo Tribunal Federal (STF), vieram à tona mais detalhes de vínculos entre Daniel Vorcaro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Uma publicação da Veja também indicou pagamentos de propina para Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. E, para fechar, nesta quinta-feira, 18, o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula, foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Confira como o caso Master avançou sobre os políticos nos últimos dias:

Ciro Nogueira e Hugo Motta

O senador Ciro Nogueira junto de Daniel Vorcaro em voo particular Foto: Reprodução/Polícia Federal

Os nomes do senador e do deputado federal aparecem em relatórios da Polícia Federal (PF) enviados ao STF que tiveram os sigilos retirados na última terça-feira, 16. 

A PF detalha que Vorcaro bancava viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados a Ciro Nogueira, além de manter o pagamento de uma mesada que variou entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador. Ao todo, o banqueiro teria gasto R$ 468.721,78 com viagens internacionais pagas a Nogueira.

Em troca, aponta a PF, o senador teria apresentado projetos de lei para favorecer os interesses do dono do Banco Master.

O deputado Hugo Motta também aparece como um dos agraciados pelo pagamento de despesas durante viagens. Enquanto ele ainda não ocupava o cargo de presidente da Câmara, Motta teve as diárias de um hotel em Lisboa pagas por Vorcaro, junto com Nogueira, em 2024. 

Em entrevista ao jornal Estadão, Motta afirmou ter sido convidado por Ciro Nogueira a ir “de carona com Daniel” para Lisboa, onde aconteceria o fórum jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Chegando lá, o deputado disse ter descoberto que a diária já estava paga por Vorcaro e não viu problema. “É um evento corporativo. Não vejo crime nisso”, afirmou, negando ter atuado em prol do Master em contrapartida. 

O Four Seasons Hotel Ritz Lisbon tem diárias a partir de cerca de R$ 14 mil.  As suítes mais sofisticadas ultrapassam os R$ 28 mil por noite, enquanto a exclusiva Suíte Almada Negreiros chega à faixa dos R$ 100 mil por diária.

Já Ciro Nogueira não se manifestou novamente sobre o caso. Em maio, quando foi alvo de uma operação da PF no âmbito da Operação Compliance Zero, o senador disse ser vítima de um ataque “maligno e sem fundamentos” que teria como intuito “manchar” sua “honra pessoal” em ano eleitoral. 

Davi Alcolumbre 

Ainda esta semana repercutiu uma publicação da revista Veja que dizia que a segunda proposta de delação premiada de Vorcaro continha informações sobre pagamento de propina ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Um dos temas que o dono do Banco Master teria oferecido aos investigadores para fechar o acordo menciona uso de conta no exterior para repassar recursos ao senador.

De acordo com a revista, o banqueiro teria feito um pagamento de US$ 30 milhões, o equivalente hoje a cerca de R$ 153,5 milhões. A cifra teria sido depositada numa conta secreta e repassada a Alcolumbre em troca de apoio para assuntos de interesse de Vorcaro. A operação financeira teria sido feita por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e alvo da nona fase da Operação Compliance desta quinta, 18. 

A proposta de delação de Vorcaro, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal na última quinta-feira, 11. Após a veiculação da reportagem, Alcolumbre disse ter recebido um “ataque pessoal e institucional”, durante discurso na terça-feira, 16, no plenário do Senado Federal.

“Eu repudio, com toda a firmeza e toda a indignação, o conteúdo dessa matéria. Jamais recebi aqueles valores ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja. São alegações inteiramente falsas, com a única e aparente intenção de arrastar para a lama o meu nome, a minha honra, a minha reputação”, declarou aos senadores.

Jaques Wagner

O nome mais recente envolvido no caso Master é do senador Jaques Wagner, o primeiro de um representante do governo Lula. Wagner é o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT na Bahia, os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e a suposta participação de Wagner no esquema.

Wagner teria recebido pagamentos do Banco Master durante anos pela empresa da enteada Bonnie Bonilha, através de um contrato de consultoria que totalizou R$ 11 milhões em recebimentos. Ele também teria viajado com frequência em jatos de Daniel Vorcaro e recebeu um apartamento de presente em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, segundo investigação da PF. 

Além de mandados de busca e apreensão cumprindos em endereços do senador, a operação também tem como alvo o empresário Augusto Lima. Ex-sócio de Vorcaro, ele arrematou a rede baiana de supermercados Cesta do Povo, em 2018, que era a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada pelo sucessor de Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa. 

No Estado, Lima também implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master, o Credcesta.

Segundo a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro. Não foram cumpridas medidas de monitoração eletrônica. Até o momento, a assessoria de Jaques Wagner não divulgou um posicionamento sobre a operação.

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