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Cultura

Memória sob escombros: Comunidade de Bertolínia se une para salvar escola histórica de 1935

Por Redação 1 de abril de 2026 3 min de leitura
Fotos: Divulgação

O que as paredes da Unidade Escolar Bertolino Rocha não suportaram em estrutura, a população de Bertolínia decidiu sustentar em afeto e mobilização. Após o desabamento de parte da fachada e de uma parede lateral entre 2025 e o início de março de 2026, um movimento liderado por ex-alunos, professores e intelectuais piauienses corre contra o tempo para evitar que quase um século de história se transforme definitivamente em entulho.

 


O Berço da Educação Regional

Construído a partir de 1935, durante a gestão do prefeito Antenor Rocha em parceria com o interventor federal Leônidas Melo, o prédio é um dos marcos da arquitetura educacional da Era Vargas no Piauí. Situado estrategicamente em uma colina ao lado da igreja matriz, o “velho grupo” foi, por décadas, a única porta de entrada para o conhecimento não apenas para os filhos de Bertolínia, mas para jovens de municípios vizinhos como Sebastião Leal, Manoel Emídio e Canavieira.

“É uma joia da nossa arquitetura que está morrendo à vista de todos”, lamentam antigos moradores.

A força do mutirão

Diante do silêncio do Estado — proprietário legal do imóvel — a sociedade civil assumiu o protagonismo. O advogado e escritor Reginaldo Miranda, ex-aluno da instituição, tornou-se uma das vozes centrais no apelo pela reconstrução. O projeto é ambicioso: arrecadar fundos para erguer as paredes caídas, trocar todo o telhado e restaurar a estrutura original.

A resposta tem sido imediata. O movimento já conta com uma rede de voluntários que vai de operários oferecendo mão de obra gratuita a empresários e servidores públicos comprometidos com doações financeiras.

Do abandono ao Centro Cultural

O objetivo final não é apenas o reparo físico, mas a ressignificação do espaço. A meta é transformar a antiga escola em um Centro Cultural, abrigando um museu e o memorial da cidade.

Para viabilizar legalmente as intervenções, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí (IHGP), Antônio Fonseca Neto, já solicitou formalmente ao Governo do Estado a cessão do prédio. A ideia é transferir a responsabilidade da manutenção para a comunidade e entidades culturais, garantindo que o descaso administrativo não derrube o que resta da história local.

 

Como ajudar

O movimento de restauração da Unidade Escolar Bertolino Rocha continua em busca de novos colaboradores. Interessados em contribuir com materiais, mão de obra ou doações financeiras podem entrar em contato com o advogado Reginaldo Miranda.


 

 

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