Desde eras imemoriais, na bruma dos tempos, quando sob o silêncio milenar de rochas ígneas deslizava sob veios caudalosos de rios subterrâneas de leitoso silício nos quais apenas começava a cintilar pequeníssimos pontos multicolores …
Pois nessa infindável trama tecida entre o tempo e a beleza telúrica, está a musa protetora das gemas de opala, ali mesmo, com toda a sua serenidade, elegância, beleza e sabedoria de quem sabe que a mãe natureza possui seus próprios ciclos …
No passado imemorial, a musa protetora das gemas raras, sabia que, a um só tempo precisaria exibir aos olhos humanos arco-íris em forma de joias raras, mas também tocar nos humanos corações para que danos ambientais não fossem causados à mãe maior a quem chamamos de Terra, nossa nave cósmica onde vivemos no universo.
Foi certamente sob o olhar protetor da musa que as gemas de opala obedecendo à Lei da Gravidade, enquanto o planeta seguia seu curso em torno do Sol e tendo a lua por companheira, enquanto os dias e noite se sucediam na dança do Cosmo.
Foi, pois sob seu olhar generoso que a Musa protetora da opala soube guiar com seus desejos mágicos os veios opalíferos ainda incandescentes para as terras piauienses e nestas, depositou sem nenhum pudor todos eles no subsolo do lugar que no futuro viria a chama-se de Pedro II, Cidade Imperial e por fim, a ‘Terra da Opala’.
E agora, na lembrança de seu povo, a musa vive ainda e sempre a zelar pelas gemas magníficas que enfeitam também as mulheres, empoderando-as, tornando-as também co-protetoras da opala.
E lembremo-nos: cada simples cintilar da mais simples gema de opala traz a lembraça tênue daquela que continua a proteger as pedras do arco-íris. Em cada cintilar há a lembrança e a presença da musa protetora da opala que de alguma forma se presente aqui e agora nessa passarela.
Ernâni Getirana (@ernanigetirana) é poeta e escritor. É o autor, dentre outros, do livro “Lendas de Pedro II”. Escreve às quintas-feiras para o Portal News Piauí.




