O Ministério Público do Paraguai ordenou, nesta sexta-feira (6), a prisão do ex-presidente Santiago Peña (Partido Colorado, direita), logo depois de o Senado destituí-lo do cargo. A Polícia Nacional esteve presente em sua residência, em Assunção, onde ele permanecerá detido até ser colocado à disposição das autoridades.
A ordem de prisão também alcança o ex-presidente do BC (Banco Central do Paraguai), Carlos Carvallo Spalding. Ambos são investigados por suspeita de envolvimento na crise financeira do Ueno Bank. As informações são do jornal paraguaio ABC Color.
No caso de Peña, a ordem determina que ele permaneça detido em sua casa até ser levado ao Ministério Público, na Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção. Já Carvallo deverá cumprir a medida em dependência definida pelo Comando da Polícia.
A ordem de detenção foi assinada pelos promotores do Ministério Público de Delitos Econômicos e Anticorrupção Elena Fiore, Christian Benítez e Silvia González Véster, além da agente da Unidade Especializada em Delitos Informáticos e Lavagem de Ativos, Ruth Karina Benítez. O documento foi encaminhado diretamente à Comandância da Polícia Nacional para cumprimento obrigatório.
Enquanto a prisão de Peña era cumprida, Pedro Alliana (Partido Colorado) tomava posse como novo presidente do Paraguai.
Sobre o caso
Santiago Peña assumiu o governo do Paraguai em 2023, mesmo ano em que o Ueno Bank ganhou espaço no mercado paraguaio após sua transformação de financeira em banco. O ex-presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025.
A oposição ao governo Peña fala em conflito de interesses e questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez –afirmando que os montantes ultrapassaram os limites regulatórios. Congressistas afirmam que o governo manipulou regras e contou com o “acobertamento” do Banco Central do Paraguai, presidido por Carlos Carvallo. Ele foi presidente do Ueno até agosto de 2023, quando Peña o indicou para presidir o BC paraguaio.
A oposição também diz que Peña promoveu mudanças na lei de conflitos de interesses e permitiu a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank.
Impeachment
O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira (6), o impeachment contra o presidente Santiago Peña (Partido Colorado, direita). 44 dos 45 senadores estavam presentes e votaram a favor. A votação foi feita 1 dia depois de o impeachment ser aprovado na Câmara de Deputados, mesmo depois de Peña apresentar um pedido de renúncia.
A análise do Senado começou ainda na 5ª feira (5.nov), logo depois de Peña se manifestar no X dizendo que apresentaria sua defesa no processo. Nesta 6ª feira (6.nov), a sessão na Casa Alta começou com a apresentação da defesa por parte dos advogados. Peña não apareceu.
Da Redação




