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Piauí Preventivo propõe metas para ampliar a prevenção de desastres no Piauí

Por Redação 10 de outubro de 2026 8 min de leitura
Werton Costa, diretor da Defesa Civil - Foto: Divulgação

Programa previsto no Plano de Governo de Rafael Fonteles estabelece metas para ampliar a prevenção de desastres, modernizar o monitoramento e fortalecer as estruturas municipais de proteção e defesa civil. Para Werton Costa, inteligência climática e territorial é fundamental para antecipar riscos e proteger populações vulneráveis.

A gestão de riscos e desastres no Piauí passa a ocupar um espaço estratégico no planejamento governamental com o programa Piauí Preventivo: Gestão de Riscos e Desastres, apresentado no Plano de Governo de Rafael Fonteles para o próximo período de gestão. A proposta estabelece metas para fortalecer a capacidade de prevenção do Estado, ampliar o monitoramento climático e meteorológico e apoiar os municípios na preparação para eventos extremos.

Entre os principais objetivos está garantir que 100% dos municípios prioritários — identificados pela maior recorrência de desastres nos últimos dez anos — disponham de planos de contingência atualizados. O programa também prevê apoio a projetos de drenagem urbana e o fortalecimento das Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil (COMPDECs), estruturas essenciais para a organização das ações locais de prevenção, preparação e resposta.

A proposta sinaliza uma mudança de orientação: a Defesa Civil deixa de ser compreendida apenas como uma estrutura mobilizada depois da ocorrência de um desastre e passa a ser tratada, cada vez mais, como um sistema permanente de gestão de riscos, capaz de identificar ameaças, antecipar cenários e orientar decisões públicas antes que os danos aconteçam.

Inteligência climática e territorial como eixo da transformação

 

Para o diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, o climatologista Werton Costa, o avanço da política de proteção e defesa civil depende da capacidade de transformar dados científicos e informações territoriais em decisões concretas de prevenção.

A inteligência climática permite interpretar informações meteorológicas, hidrológicas e ambientais para identificar tendências e antecipar situações de perigo. Já a inteligência territorial contribui para compreender onde os riscos se manifestam, quais infraestruturas e comunidades estão expostas e quais grupos necessitam de atenção prioritária.

Essa integração é especialmente relevante para o Piauí, estado que enfrenta desafios relacionados à irregularidade das chuvas, à estiagem, às ondas de calor, aos incêndios florestais e aos alagamentos urbanos. Esses fenômenos apresentam características distintas e exigem estratégias territorialmente diferenciadas, articulando monitoramento, planejamento, comunicação de riscos e mobilização comunitária.

Na perspectiva defendida por Werton Costa, uma Defesa Civil moderna precisa avançar da simples observação dos fenômenos para a produção de conhecimento aplicado à gestão pública. Isso significa integrar dados, elaborar prognósticos, mapear vulnerabilidades e disponibilizar informações que permitam aos gestores agir com antecedência.

 

“A inteligência climática e territorial é fundamental para construirmos uma Defesa Civil mais proativa, inclusiva e eficaz. Não basta conhecer a previsão do tempo: precisamos compreender como os fenômenos podem afetar cada território, identificar quem está mais vulnerável e transformar informação em prevenção. O objetivo é antecipar riscos, orientar decisões e proteger vidas antes que o desastre aconteça.”

 

CEGRID e inteligência artificial ampliam a capacidade de antecipação

 

Um dos destaques do programa é a previsão de ampliar e modernizar a cobertura de monitoramento hidrológico, climático e meteorológico, fortalecendo o Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CEGRID).

A estrutura exerce papel estratégico na organização das informações necessárias ao acompanhamento de eventos críticos e ao apoio à tomada de decisões. Sua consolidação como centro de inteligência operacional permite aproximar o monitoramento técnico da atuação preventiva e da coordenação das respostas.

O plano também prevê o desenvolvimento de uma plataforma de gestão de riscos com mecanismos preditivos baseados em inteligência artificial. A proposta abre caminho para integrar diferentes bases de dados, identificar padrões associados a situações de perigo e aprimorar a análise de cenários de risco.

A tecnologia, entretanto, não substitui a avaliação técnica nem o conhecimento das realidades locais. Seu valor está em ampliar a capacidade de análise dos profissionais, qualificar os prognósticos e oferecer subsídios mais consistentes para decisões preventivas.

Experiências já desenvolvidas pela Defesa Civil do Piauí apontam nessa direção. Entre elas estão o uso de tecnologias de monitoramento, a ampliação da rede de observação pluviométrica, a capacitação em mapeamento de riscos e iniciativas de comunicação colaborativa com a população. Em maio de 2026, a instituição apresentou nacionalmente sua experiência de integração entre tecnologia, participação cidadã e gestão de riscos, incluindo o uso do aplicativo Waze para comunicação de ameaças no ambiente urbano.

Municípios mais preparados e comunidades mais protegidas

 

O fortalecimento das COMPDECs constitui outro eixo central da proposta. A previsão de apoiar a formalização e a estruturação dessas coordenadorias reconhece que a prevenção depende de capacidades institucionais presentes nos próprios municípios.

É no território que os riscos se materializam e onde as primeiras medidas de proteção precisam ser organizadas. Coordenadorias estruturadas, equipes capacitadas, planos de contingência atualizados e mecanismos de comunicação eficientes contribuem para reduzir o tempo de resposta e evitar que situações previsíveis evoluam para desastres de maior proporção.

A meta de contemplar todos os municípios prioritários com planos de contingência atualizados também favorece uma atuação baseada em critérios de risco, direcionando esforços para localidades com histórico mais recorrente de ocorrências.

A efetividade dessa estratégia dependerá da articulação entre Estado e municípios, da atualização permanente dos instrumentos de planejamento e da capacidade de transformar as diretrizes em ações executadas e monitoradas.

Prevenção inclusiva: proteger de maneira diferente quem enfrenta riscos diferentes

 

A dimensão territorial da gestão de riscos também exige reconhecer que os impactos dos eventos extremos não são distribuídos igualmente. Comunidades periféricas, populações rurais, ribeirinhos e pessoas com deficiência, entre outros grupos em situação de maior vulnerabilidade, podem enfrentar obstáculos adicionais para acessar informações, compreender alertas ou alcançar locais seguros.

Por isso, a modernização da Defesa Civil precisa incorporar comunicação acessível, participação comunitária, educação preventiva e identificação das vulnerabilidades sociais nos processos de planejamento.

A inteligência territorial, nesse contexto, não deve se limitar ao mapeamento físico das áreas suscetíveis a inundações, incêndios ou outros fenômenos. Deve também contribuir para compreender as condições sociais que ampliam a exposição aos perigos e dificultam a recuperação das comunidades atingidas.

A combinação entre ciência, tecnologia e participação social amplia as possibilidades de uma prevenção mais inclusiva, capaz de considerar as necessidades específicas de cada população e de fortalecer a capacidade comunitária de reconhecer e enfrentar situações de risco.

Uma política pública orientada por resultados

 

O programa Piauí Preventivo apresenta dois indicadores centrais: o percentual de municípios prioritários com planos de contingência atualizados e o percentual daqueles que contam com COMPDECs estruturadas e em funcionamento.

Esses indicadores permitem acompanhar parte dos resultados esperados, mas sua efetividade dependerá também de critérios claros para avaliar a qualidade dos planos, a capacidade operacional das coordenadorias, a cobertura do monitoramento e a redução das vulnerabilidades.

A proposta está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente ao ODS 11, voltado a cidades e comunidades sustentáveis, e ao ODS 13, dedicado à ação contra a mudança global do clima.

A agenda também dialoga com o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil do Piauí (PEPDEC), lançado em 2025, que estabeleceu diretrizes para prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de desastres.

A articulação entre planejamento estadual, capacidade municipal, monitoramento científico e participação social poderá consolidar uma política de proteção e defesa civil mais integrada, desde que as metas sejam acompanhadas de recursos, responsabilidades institucionais e mecanismos permanentes de avaliação.

Da resposta à prevenção: o desafio de uma nova cultura de proteção

 

O Piauí Preventivo projeta uma concepção de Defesa Civil em que a resposta às emergências permanece indispensável, mas passa a ser acompanhada por investimentos sistemáticos em conhecimento, planejamento e redução de riscos.

Para Werton Costa, a inteligência climática e territorial representa um caminho para aproximar a ciência das necessidades concretas da população e orientar uma atuação pública capaz de antecipar ameaças, reconhecer vulnerabilidades e organizar respostas adequadas a cada realidade.

O desafio será transformar as metas previstas em capacidades permanentes: municípios preparados, sistemas de monitoramento integrados, alertas compreensíveis, comunidades participantes e decisões orientadas por evidências.

Mais do que reagir aos desastres, o horizonte é construir uma Defesa Civil que conheça o território, antecipe os riscos e atue para evitar que as ameaças se transformem em tragédias.

Fonte: Ascom

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