O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (5/8), que está preparado para enfrentar qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A declaração foi dada ao comentar a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
“Eu não só estou preparado como vou enfrentar qualquer pessoa de fora que quer interferir no nosso processo eleitoral”, afirmou, em entrevista ao canal Meteoro, no YouTube.
Na sequência, Lula disse que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a necessidade de preservar a estabilidade institucional entre os dois países.
“Eu tenho dito, nas vezes que conversei com o presidente Trump, que nós somos dois homens de 80 anos de idade, somos o presidente das duas democracias mais importantes da região e que, portanto, a gente tem que passar para o pessoal que mora na nossa região sobriedade, e para o mundo, que está precisando de sobriedade e serenidade. E todas as conversas que eu tive com ele foram conversas boas”, declarou.
O presidente afirmou ainda que, no último encontro entre os dois, pediu a Trump que revertesse a restrição de entrada de autoridades brasileiras nos Estados Unidos.
“Eu entreguei para o Trump, na última reunião que eu tive com ele, um pedido para que ele liberasse as autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar nos Estados Unidos. São ministros da Suprema Corte, Advocacia-Geral da União, ministro da Saúde. Bem, ele não fez”, disse.
Representantes americanos barrados
Lula também mencionou a negativa do governo brasileiro em conceder visto a dois representantes norte-americanos que, segundo ele, viriam ao país para acompanhar o processo eleitoral.
“Depois eu fico sabendo da notícia que vinham dois jovens para cá para se intrometer e fiscalizar e investigar a urna brasileira. O Itamaraty corretamente negou o visto para eles”, afirmou.
Ao comentar a situação envolvendo a indicação do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, o presidente explicou que decidiu suspender o recebimento de novos embaixadores até a realização das eleições.
“A última vez que eu recebi embaixador foi no mês passado. Eu recebi, de uma vez só, 10 embaixadores no Itamaraty, e disse ao ministro Mauro (Vieira): ‘Agora, até a eleição, eu não recebo mais embaixador. Só depois da eleição é que eu vou receber, de qualquer país do mundo'”, declarou.




