Teresina • terça-feira, 4 de agosto de 2026
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Professor brasileiro de jiu-jitsu é preso pelo ICE nos EUA

À espera de audiência, Thiago Brito, preso pelo ICE, mobiliza alunos e familiares em campanha nos EUA

Por admin 4 de agosto de 2026 6 min de leitura
Detido em centro de custódia na Pensilvânia, o brasileiro Thiago Brito aguarda audiência enquanto alunos arrecadam fundos para sua defesa - (crédito: Reprodução/Instagram/Thiago Brito)

O professor brasileiro de jiu-jitsu Thiago Brito, de 34 anos, foi preso por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) no último dia 24, no Aeroporto Internacional da Filadélfia, enquanto embarcava para Orlando, na Flórida. Desde então, o paulista permanece detido em um centro de custódia para imigrantes, onde aguarda audiência sobre seu caso.

Natural de São Paulo, Thiago mora há cerca de dez anos na Filadélfia, na Pensilvânia, e atua como professor da modalidade na cidade. Com aproximadamente duas décadas dedicadas ao esporte, o faixa-preta acumula títulos em competições nacionais e internacionais. No dia da prisão, ele viajava para acompanhar alunos que participariam do Pan Kids, considerado o principal campeonato infantil de jiu-jítsu do mundo.

A detenção deu início a uma mobilização entre alunos, familiares e colegas do professor. A academia Tri State Kickboxing and MMA, onde ele leciona, publicou um apelo nas redes sociais pedindo apoio à defesa jurídica.

 
 
 
 
 
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Um post compartilhado por Tri State Kickboxing and MMA (@tristatekickboxing)

A publicação também orienta a comunidade a enviar cartas em defesa do brasileiro e incentiva que familiares, amigos, alunos, pais, treinadores e integrantes da comunidade do jiu-jitsu participem da iniciativa. As crianças também foram convidadas a escrever mensagens ou fazer desenhos contando o que o professor representa para elas, com modelos de cartas disponíveis na recepção da academia.

Paralelamente, foi criada uma campanha de arrecadação para cobrir os custos da defesa. Até a tarde de segunda-feira (3/8), a iniciativa havia reunido mais de US$ 28 mil, com meta de alcançar US$ 35 mil.

Em fala concedida ao Correio, o professor e amigo Andy Kearns afirmou que Thiago construiu uma trajetória marcada pelo incentivo ao esporte e à formação de crianças e adultos.

“Thiago é uma lenda. Medita, lê livro após livro, incentiva um estilo de vida saudável para todas as crianças, motiva os adultos a serem melhores e a mudarem seus hábitos. Ninguém é perfeito, mas Thiago Brito definitivamente não merece estar em um centro de detenção enquanto aguarda seu destino.”

Para Kearns, o colega não pode ser deportado sem se despedir ou sem compreender o que ele significa para os amigos.

“Ele merece a oportunidade de se despedir das crianças. Há anos dá aulas sete dias por semana e merece receber os abraços, os beijos, se despedir do cachorro e ouvir o quanto significa para as pessoas que ajudou.”

Também ao Correio, Tom Karas, aluno e pai de quatro estudantes treinados por Thiago, afirmou que o professor ocupa um papel central na comunidade da academia.

“Thiago é um segundo pai para meus quatro filhos. Ele é a alma da nossa academia e da nossa comunidade.”

Karas criticou ainda a forma como o caso vem sendo conduzido.

“O que aconteceu é muito difícil de aceitar. Ele foi preso quando estava a caminho de ajudar crianças. Não estava viajando de férias nem fazendo nada ilegal. Estava indo melhorar a vida de jovens.”

Apesar de reconhecer que o debate sobre imigração desperta diferentes posicionamentos políticos nos Estados Unidos, Karas afirmou que, em sua avaliação, a discussão não justifica como Thiago vem sendo tratado. Ele também informou que familiares e amigos não receberam esclarecimentos sobre os motivos da demora na audiência de fiança. 

“Independentemente das opiniões políticas sobre imigração, o tratamento que ele recebeu tem sido injusto e desumano. Não sabemos por que a audiência sobre sua fiança está demorando, nem por que ele foi transferido. Não recebemos nenhuma explicação. Ele é da família. Todos nós precisamos dele de volta.”

Comunidade iniciou vaquinha e campanha de cartas para apoiar o professor brasileiro preso pelo ICE (foto: Reprodução/Instagram/Thiago Brito)

Após a prisão no aeroporto, Thiago foi encaminhado inicialmente ao Centro Federal de Detenção da Filadélfia (FDC Philadelphia). Posteriormente, acabou transferido para o centro de detenção de imigrantes Moshannon Valley, em Philipsburg, também na Pensilvânia, unidade destinada exclusivamente à custódia de estrangeiros.

De acordo com familiares, o brasileiro contou que foi transportado algemado nas mãos e nos pés durante a transferência. Apesar disso, está classificado pelas autoridades como detento de baixa periculosidade. Enquanto aguarda a audiência de custódia, também busca atendimento médico para problemas de saúde que já apresentava antes da detenção.

O irmão de Thiago, o fisiculturista Lucas Brito, afirmou ao Correio que a família deseja que o processo seja concluído o quanto antes para que ele possa retornar ao Brasil.

“Eu, meu pai, minha mãe, toda a nossa família quer o Thiago aqui de volta com a gente. Já que ele está preso por ser ilegal, então que ele seja deportado e o proceso legal seja realizado para que ele seja deportado o mais rápido possível, para que ele volta para o país dele e fique com a nossa família.”

Atuação do ICE

A detenção de Thiago ocorre em meio ao aumento das ações do ICE em aeroportos norte-americanos, inclusive em voos domésticos. Em parceria com a Administração de Segurança nos Transportes (TSA), a agência passou a intensificar a fiscalização de imigrantes com vistos vencidos, ainda que eles não tenham antecedentes criminais.

Segundo dados divulgados pela rede CBS, mais de 46 mil imigrantes estavam sob custódia da agência em julho, média de aproximadamente 1.500 detenções por dia. O governo do presidente Donald Trump já manifestou a intenção de elevar esse número para cerca de 2 mil prisões diárias de pessoas em situação migratória irregular.

Até a publicação da reportagem original, o ICE não havia informado qual acusação formal pesa contra Thiago Brito nem prestado esclarecimentos sobre suas condições de detenção.

Dados do programa federal Aqui é Brasil apontam que, entre o início do atual governo Trump, em 2025, e julho deste ano, 63 voos com brasileiros deportados desembarcaram no país, totalizando quase 5 mil pessoas repatriadas. A maioria é formada por homens entre 18 e 49 anos, que retornam principalmente para Minas Gerais, São Paulo e Rondônia.

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