Teresina • terça-feira, 4 de agosto de 2026
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MPF foi contra buscas ligadas a Weverton Rocha, mas Mendonça liberou ação

Órgão defendeu apenas quebra de sigilo, mas ministro do STF apontou risco de destruição de provas e autorizou operação pela PF por suspeita de lavagem no INSS

Por admin 4 de agosto de 2026 3 min de leitura
André Mendonça autorizou as buscas em endereços de 11 alvos, incluindo a esposa e as filhas do parlamentar - (crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou de forma contrária à realização de mandados de busca e apreensão contra pessoas e empresas ligadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA) na nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (4/8).

Apesar do parecer pelo indeferimento, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu as medidas, autorizando buscas em endereços de 11 alvos, incluindo a esposa e as filhas do parlamentar, além de escritórios de advocacia e empresas. O magistrado justificou a decisão pela necessidade de evitar o “perecimento probatório”, dada a facilidade de destruição de provas digitais e a gravidade dos fatos narrados pela PF.

Em seu parecer, o MPF ponderou que, embora os índices apresentados pela polícia desenhassem um “quadro verossímil”, a busca e apreensão seria uma medida extrema no momento. Para o órgão, medidas menos ostensivas, como a quebra de sigilos bancário e fiscal, seriam suficientes para confirmar a origem dos recursos e as conexões financeiras entre os investigados antes de uma incursão física.

A investigação aponta para uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro que funcionaria como um “hub financeiro, patrimonial e logístico”, liderado pelo advogado Willer Tomaz de Souza em benefício do senador Weverton Rocha.

As investigações apontam para um esquema financeiro destinado a ocultar a origem de recursos supostamente derivados de corrupção passiva no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Entre os valores de maior destaque citados na decisão de Mendonça está o repasse de R$ 11 milhões a Samya Rocha, esposa do parlamentar, montante este que teria sido enviado por empresas ligadas a Tomaz, especificamente pelo escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados.

Outro ponto de destaque é a negociação de uma mansão no Lago Sul, bairro nobre em Brasília, avaliada em R$ 6 milhões. Embora o imóvel seja utilizado pelo senador, a aquisição foi formalizada em abril de 2023 em nome da empresa WT Administração de Imóveis, pertencente a Willer, com pagamento inicial de R$ 4 milhões de sinal.

As apurações apontam ainda uma triangulação financeira suspeita no valor de R$ 5 milhões, quantia que foi transferida pela Qualitech Engenharia ao Posto Petro São Francisco e, no mesmo dia, repassada à empresa DJ Agropecuária. Além disso, em 11 de maio, a PF apreendeu R$ 1 milhão em espécie com um suspeito que, em tese, faria a entrega do dinheiro a um ex-assessor de Weverton.

O caso é um desdobramento da Operação Sem Desconto e se baseia em dados extraídos do celular do próprio senador Weverton Rocha. A PF sustenta que a estrutura de Tomaz funciona para dissimular a propriedade de bens e direitos provenientes de infrações penais.

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