Teresina • terça-feira, 4 de agosto de 2026
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Crise em Ceuta já soma 75 mortos e 1 mil menores abandonados

Segundo governo espanhol, 70 mil dos 72 mil imigrantes que chegaram a exclave no norte da África na última semana já deixaram o local. Para os que ficaram, falta abrigo e alimento

Por admin 4 de agosto de 2026 4 min de leitura
Crise migratória em Ceuta, na Espanha Atlas/via Reuters TV/Handout via REUTERS

A corrida, na semana passada, de dezenas de milhares de imigrantes do Marrocos até Ceuta, território da Espanha no norte da África, deixou 75 mortos no lado espanhol da fronteira, informaram autoridades nesta terça-feira (4).

Os números foram confirmados pela delegação do governo espanhol em Ceuta às agências de notícias AFP e EFE. A elas somam-se as vítimas recolhidas no lado marroquino da fronteira, até agora 11. A maioria morreu afogada ao tentar contornar a nado uma barreira fronteiriça no Mar Mediterrâneo.

Ainda segundo o governo da Espanha, 70 mil dos 72 mil migrantes que chegaram a Ceuta já retornaram ao Marrocos.

Os que permaneceram enfrentam condições de vida precárias, com dificuldade de acesso a abrigo, alimentação, água e saneamento. Entre eles estão cerca de mil menores desprotegidos, segundo a organização Save the Children.

Madri anunciou nesta terça-feira um pacote de 25 milhões de euros para ajudar as autoridades de Ceuta a prestar assistência de emergência a menores desacompanhados.

De acordo com o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, os incidentes em Ceuta não comprometeram o espaço Schengen de livre circulação na Europa. “Todos concordamos que o espaço Schengen nunca esteve, nem um pouco, em perigo”, disse ele, rejeitando a possibilidade de que houvesse um “movimento secundário” dos migrantes de Ceuta para a Europa continental. A fala ocorreu após uma reunião de emergência com outros membros da União Europeia (UE).

A chegada dos imigrantes gerou tensões com os parceiros da Espanha na UE, com a Itália e a Dinamarca pedindo que o país fosse suspenso de Schengen. Segundo Marlaska, o encontro, no entanto, transcorreu “em um tom absolutamente construtivo”.

Escassez de comida e abrigo

Segundo as autoridades espanholas, muitos dos migrantes saíram voluntariamente de Ceuta depois de perceber que havia poucas chances de chegar à Europa continental. Também houve falta de capacidade no minúsculo exclave, de 84 mil habitantes e área inferior a 20 quilômetros quadrados, para acolhê-los. Alguns também foram detidos pelas forças de segurança e levados de volta à fronteira. No entanto, a lei não permite essa medida com menores desacompanhados.

A legislação espanhola estabelece que migrantes adultos podem solicitar asilo. Caso o pedido seja indeferido, eles estarão sujeitos a procedimentos de expulsão. Normalmente, os critérios para que marroquinos recebam proteção humanitária são muito rigorosos. Os migrantes menores de idade não acompanhados por adultos, no entanto, devem receber proteção e assistência das autoridades espanholas.

Jornalistas da agência de notícias Associated Press, no entanto, testemunharam as forças de segurança espanholas conduzindo jovens migrantes em direção à fronteira.

Entre os migrantes adultos que permanecem em Ceuta, há um número significativo de cidadãos de outros países, incluindo sudaneses, palestinos e afegãos. A comida é escassa entre os imigrantes. Na noite de segunda-feira, autoridades organizaram a distribuição de alimentos entre os que ainda permaneciam no local.

Ahmed Chenaf, um marroquino de 25 anos, contou à agência Associated Press sobre as más condições que enfrentou em Ceuta antes de voltar. Ele disse que ficou dois dias sem comer.

“Para quem está pensando em tentar chegar a Ceuta: vocês vão sofrer. Todos os supermercados estavam fechados. Não há comida, e ninguém queria nos vender nada”, disse ele.

O centro de acolhimento de migrantes da cidade, com capacidade para 600 pessoas, está completamente lotado. Muitos dormem ou descansam na praia ou nas colinas que cercam o pequeno território espanhol.

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