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Crédito para motoristas de app e taxistas atinge 7,3% do total; problemas no acesso alertam governo

Até agora, 21.720 motoristas de táxi e de aplicativos se cadastraram no Move Motoristas; governo Lula fez reunião nesta semana com bancos públicos para tentar corrigir falhas no acesso ao programa

Por admin 31 de julho de 2026 4 min de leitura
Vice-presidente Geraldo Alckmin durante lançamento do Move Brasil voltado à renovação da frota de caminhões Foto: Mdic/Divulgação / Estadão

A linha de crédito do governo Lula voltada a motoristas de aplicativos ou taxistas para comprar veículos atingiu R$ 2,2 bilhões até 30 de julho, de acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O valor representa 7,3% dos R$ 30 bilhões disponíveis no âmbito do Move Motoristas.

O programa, que figura entre as vitrines eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi lançado em 19 de junho e as operações de crédito podem ser contratadas até 15 de setembro, quando acaba a vigência da medida provisória (MP) do Move Motoristas.

O programa permite financiar automóveis que custem até R$ 150 mil e é voltado a taxistas registrados e ativos e a motoristas de apps com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e que tenham realizado ao menos 100 corridas no período na mesma plataforma.

A linha de crédito prevê a possibilidade de financiamento sem entrada, em até 72 parcelas, com carência de até seis meses. As taxas de juros são de até 12,6% ao ano para homens e de até 11,5% ao ano para mulheres.

De acordo com dados do BNDES, um total de 21.720 motoristas de táxi e de aplicativos se cadastraram e o valor médio do crédito foi de R$ 102 mil.

Volume abaixo do esperado motivou reunião de Lula com bancos públicos

O baixo volume de financiamento contratado no programa motivou uma reunião nesta semana entre o presidente Lula, ministros e bancos públicos. Participaram os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria Comércio e Serviços), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), além do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra Miriam Belchior (Casa Civil).

Também estiveram presentes os presidentes de Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, BNDES, Aloizio Mercadante, e Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.

O encontro teve como objetivo corrigir problemas no acesso de motoristas ao Move. Há relatos de rejeição de cadastros de motoristas com nome limpo, críticas à exigência de entrada em contratos que poderiam ser financiados integralmente e a falta de alinhamento entre o BNDES e as instituições financeiras participantes.

Na divulgação dos R$ 2,2 bilhões em financiamento aprovado do BNDES Move Motoristas, Mercadante disse que o programa pode ser aperfeiçoado. “Este é um programa novo e, por isso, é um desafio para o sistema financeiro. Estamos adotando melhorias que estão nos permitindo avançar no ritmo de aprovações”, afirmou.

Ele ressaltou que o programa alcançou 1.445 municípios e registrou quase 3 mil operações aprovadas por dia. “Hoje, esta linha já responde por 30% do volume de veículos vendidos no Brasil”, acrescentou.

Segundo o presidente do BNDES, o sistema do Move Motoristas opera sem problemas. “Alguns bancos precisaram desenvolver sua interface em tecnologia da informação para aderir ao programa e estão começando a entrar em agosto, abrindo mais opções para motoristas e taxistas”, indicou. “Além disso, não faltou fundo garantidor para nenhuma operação. O objetivo do programa é chegar ao maior número de veículos possíveis”, disse.

Nove instituições se credenciaram para operar a linha, entre elas Banco do Brasil, Santander e Caixa, além de bancos como Stellantis, Volkswagen, Renault e Hyundai, entre outros.

Comprovação de renda

Uma das preocupações do governo foi com a forma que os trabalhadores teriam para demonstrar seus rendimentos. Banco do Brasil e Caixa já flexibilizaram essa comprovação, usando comprovantes de empresas que operam plataformas de transporte de passageiro, no caso de motorista de aplicativo.

As iniciativas voltadas a esse público ocorrem após o governo não conseguir aprovar no Congresso a regulamentação da atuação dos trabalhadores por aplicativo. A intenção é ter o setor — considerado próximo do bolsonarismo — próximo a Lula nas eleições.

 

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