Um avião da LATAM precisou retornar ao Aeroporto Internacional de Brasília, na manhã desta quarta-feira (29), após colidir com uma ave logo depois da decolagem.
Um vídeo obtido pela reportagem mostra o momento em que o jato comercial sobrevoa a região com fumaça saindo do motor esquerdo antes de retornar ao terminal. As imagens foram registradas pelo analista de TI César Eduardo Carneiro.
Em entrevista ao Band.com.br, o analista de TI disse que ouviu um barulho incomum vindo do avião e quando olhou para o céu, notou a presença de fumaça.
“Não teve explosão nem nada disso. Ouvi um barulho diferente como se fosse um avião monomotor ou um turbo-hélice. Quando eu vi que era um avião comercial à jato, achei estranho. Vi um volume de fumaça saindo e já peguei o celular. Não teve fogo, mas teve muita fumaça”, disse César Eduardo.
O voo LA3776 havia decolado de Brasília com destino a Salvador quando ocorreu o chamado “bird strike”, termo utilizado na aviação para se referir às colisões entre aeronaves e pássaros. Após o impacto, os pilotos decidiram retornar ao aeroporto de origem.
De acordo com a LATAM, o pouso foi realizado em segurança. A companhia informou que o voo foi cancelado e que os passageiros estão sendo reacomodados em outras aeronaves.
“O voo LA3776 (Brasília-Salvador), de quarta-feira (29/07), retornou ao aeroporto de origem e foi cancelado devido a um episódio de bird strike (colisão com pássaro), fato totalmente alheio ao controle da companhia. O pouso ocorreu em completa segurança”, informou a empresa, em nota.
Durante o procedimento de pouso, houve derramamento de combustível em uma das pistas do aeroporto.
Segundo a Inframerica, concessionária que administra o terminal, a pista precisou ser interditada temporariamente para limpeza, enquanto a outra permaneceu operando normalmente.
As equipes do Corpo de Bombeiros e da manutenção da concessionária fizeram a limpeza e a varredura da área. A pista foi liberada cerca de 20 minutos depois.
Em nota, a Inframerica afirmou que não houve registro de cancelamentos de voos relacionados ao incidente. No entanto, três voos sofreram atrasos na decolagem.
A concessionária informou ainda que permanece prestando apoio à companhia aérea e orientando os passageiros no terminal.
O que é ‘bird strike’
Na aviação, o termo “bird strike” é usado para definir colisões entre aves e aeronaves. Esse tipo de ocorrência pode acontecer durante pousos, decolagens ou até em voo, mas é mais comum nas proximidades dos aeroportos, onde há maior concentração de pássaros.
Dependendo do tamanho da ave, do número de animais envolvidos e da parte atingida da aeronave, os danos podem variar de pequenas avarias até situações mais graves. Em alguns casos, aves podem ser sugadas pelos motores, provocando falhas, danos estruturais e a necessidade de pousos de emergência.
Além do risco à segurança operacional, colisões com aves também podem gerar prejuízos milionários para companhias aéreas e operadores, devido a manutenção não programada, interrupção de voos e indisponibilidade das aeronaves.
FAB monitora casos
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), o chamado “risco de fauna” é caracterizado pela utilização do mesmo espaço (aéreo ou terrestre) por aeronaves e animais, principalmente por aves, situação pode resultar em danos às aeronaves e comprometer a segurança das operações.
Segundo a FAB, cada aeroporto tem características próprias, como volume de tráfego, localização e presença de áreas que atraem animais, fatores que influenciam diretamente o risco de colisões com aves. Por isso, cada terminal adota medidas específicas de gerenciamento para reduzir esse tipo de ocorrência.
A Força Aérea destaca que o aumento do tráfego aéreo e o desenvolvimento de motores mais silenciosos podem elevar a probabilidade de colisões com aves, o que torna o monitoramento constante e o registro dessas ocorrências fundamental para adaptar e aplicar medidas de prevenção e segurança operacional.
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