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Polícia Federal decreta luto de três dias após morte de agente no RS

O policial federal foi baleado durante operação no Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira (2), chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu aos ferimentos

Por admin 3 de julho de 2026 4 min de leitura
O policial federal morreu, nesta sexta-feira (3/7), após ser atingido por disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar durante operação - (crédito: Polícia Federal/Divulgação)

A Polícia Federal (PF) decretou luto oficial de três dias pela morte do policial federal Michel Brasil Saliba, nesta sexta-feira (3/7). O agente foi baleado durante uma operação realizada na quinta-feira (2), em Passo Fundo (RS), por um policial militar, que foi preso em flagrante.

O decreto foi assinado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que acompanhará, junto aos demais diretores da instituição, os atos fúnebres na cidade de Bagé (RS).

O servidor, que desde abril deste ano ocupava a função de chefe da Delegacia de Polícia Federal em Chuí (RS), estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo. A morte foi confirmada por outro agente da corporação por meio das redes sociais.

Juntamente com Saliba, outro agente também havia sido atingido durante a ação que tinha como objetivo desarticular um sistema financeiro paralelo utilizado para sustentar um esquema de contrabando de mercadorias provenientes de Miami, nos Estados Unidos. O outro policial chegou a ser hospitalizado, mas já foi liberado.

Segundo a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, o policial militar teria atirado enquanto policiais federais cumpriam um mandado judicial contra a esposa do agente.

A ABAMF (Associação Beneficente “Antonio Mendes Filho” dos Servidores da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar do RS) se manifestou sobre o ocorrido, lamentando a morte do servidor, e informou que o policial militar responsável encontra-se licenciado de suas funções, a pedido próprio, para tratar questões pessoais relacionadas à saúde da mãe.

Segundo a associação, o policial militar não teria identificado que os indivíduos que arrombaram a porta de sua casa eram policiais federais e, por isso, reagiu “de forma instintiva para proteção própria e de sua companheira”. Após reconhecer os agentes, o PM teria buscado prestar auxílio aos feridos.

Em nota, a defesa do policial militar, representada pelos advogados José Paulo Schneider e Ricardo Almeida, lamentou a tragédia e afirmou que o agente não tinha conhecimento de que os homens que entraram em sua casa eram agentes do Estado.

O presidente Lula compartilhou em suas redes sociais condolências a amigos, colegas e familiares do delegado Michel. “Nossos policiais federais compõem uma das instituições mais admiradas e respeitadas pelos brasileiros, e uma perda desse tipo nos enche de tristeza”, acrescentou.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também manifestou profundo pesar pela morte de Michel. “O ministro expressa solidariedade aos familiares, amigos e colegas da Polícia Federal, reafirma o compromisso do Governo Federal de prestar todo o apoio necessário neste momento de dor e registra seu reconhecimento pela dedicação, pelo profissionalismo e pelo compromisso do delegado Michel Saliba com a segurança pública e a defesa da sociedade”, afirmou em nota.

Veja a nota da defesa do PM na íntegra: 

“A defesa técnica do Policial Militar lamenta o trágico desfecho desta ocorrência. Registra-se, ademais, o mais sincero respeito por toda a corporação da Polícia Federal, em especial à família enlutada.

Explica-se que o Policial Militar foi afastado da suas funções a pedido próprio, para tratar de interesse particular, envolvendo situação de saúde de sua genitora.

Importante salientar, também, que o Policial Militar sempre ostentou conduta profissional ilibada, possuindo diversos registros positivos em seu histórico funcional. 

Registra-se que, segundo o relato do Policial Militar, ele não teria identificado as pessoas que arrombaram a porta de seu apartamento como Policiais, tendo reagido instintivamente para proteção própria e de sua companheira.

Após ter ciência de que se tratava de agentes da Polícia Federal, o Policial Militar buscou prestar todo o apoio necessário para o salvamento dos agentes federais.

Consigna-se, ainda, que a real dinâmica do ocorrido está sendo apurada pela Polícia Federal, não sendo produtivas, neste momento, quaisquer ilações e afirmações apressadas sobre o que realmente aconteceu.

Reforça-se, por fim, a necessidade de que as investigações transcorram dentro de um ambiente de extrema legalidade, imparcialidade e transparência.”

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