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Cultura

Receita para enganar a morte

Por Redação 29 de janeiro de 2026 1 min de leitura

Para enganar a morte, goles de cerveja,

E quando a morte estiver bêbada,

A convide para dançar

Uma ou outra oração, que seja,

Mas não esqueça dos acordes do violão (ao luar?)

 

 

Contra o bafo da morte, chiclete de hortelã

E quando na dança ela te vergar a coluna

Tenta alguma macumba:

Sal grosso no meio da canela

E algumas flores na janela

 

A bicha já sonolenta, cheirando a menta,

Cairá em seguida em sono profundo

E tu, serelepe e matreiro, meterás os pés no aguaceiro

Correndo sem cessar até a foice fibrosa do tempo te acertar

.                                                             

(Poema e ilustração: Ernâni Getirana).

O poema foi feito em homenagem ao poeta Climério Ferreira quando foi detectado com CA.

 

ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É o autor, dentre outros livros, de “Debaixo da Figueira do Meu Avô”. Escreve para o Portal News Piauí às quintas-feiras.

 

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