Sou um ávido defensor de que artistas devem intensificar sua arte, sua criação de várias maneiras. Uma dessas maneiras certamente é a viagem, a troca de experiência, novos ares nunca dantes respirados.
Evidentemente que em tempos pandêmicos há que se tomar todos os cuidados possíveis. Mas, na medida do possível, encher os sentidos com a realidade do/da outro/a pode desencadea ideias para futuros trabalhos e experiência de vida.
Além disso, a arte está sempre elastecendo limites e se metamorfoseando. Quando o/a artista é um(a) poeta, então esse salutar ato de viajar pode oferecer-lhe novas possibilidades, aumentando sua rede de amizades e trabalhos poéticos.
É assim que vejo a breve estada de Val Mello na cidade de Pedro II. Não mais que dois dias, mas muita informação colhida e que arte virará certamente. Ela é nascida em Pedro II, mora no Rio de Janeiro há décadas e possui parentes na cidade de Cocal de Telha, Piauí.
Nos encontramos hoje no entorno do Memorial Milton Brandão e da Praça do Recanto e mantivemos uma conversa amistosa e poética. Trocamos presentes (livros, claro). Presenteei-lhe com o meu “Lendas de Pedro II” e um exemplar do “Raspa do Mameleiro III”. Ela me deu o seu livro de poesia “Vermelhos in Versos”. Val Mello é criativa, inteligente, premiada e profundamente senhora de sua arte. Além dos textos, desenha, faz dança do ventre, dança contemporânea. Uma de suas frases preferidas é esta de Albert Einstein: “A mente que se abre a novas ideias jamais volta ao tamanho original”. Ah, a tempo, Val Mello é tricolor (como eu) e isso está (a meu ver) acima de tudo rs rs rs . Eis um poema de sua lavra.
O Universo grávido
me pariu em cores
no leito de um papel
pintado de versos
(Val Mello)
Ernâni Getirana é professor, escritor e poeta e escreve para esta coluna às quintas-feiras.




