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Rede varejista de brinquedos Ri Happy renegocia R$ 827 milhões em dívidas

"A companhia atribui as dificuldades à redução do poder de compra, à desaceleração do varejo e à concorrência internacional"

Por admin 22 de outubro de 2026 3 min de leitura
2026. Eixo Capital. Filipe Denki, advogado especialista em direito empresarial e reestruturação empresarial. - (crédito: Divulgação )

Por Filipe Denki Belém Pacheco* — O pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy evidencia os desafios do varejo diante de juros elevados e concorrência. A empresa recorreu à Justiça de São Paulo para renegociar cerca de R$ 827,4 milhões em dívidas. O processo inclui outras empresas do grupo, entre elas a PBKids, e já conta com a adesão de credores que representam, aproximadamente, R$ 308,8 milhões.

A companhia atribui as dificuldades à redução do poder de compra, à desaceleração do varejo e à concorrência internacional. Também cita efeitos da pandemia e renegociações anteriores malsucedidas. Apesar do pedido, lojas físicas, site e demais canais continuam funcionando normalmente, com foco no quarto trimestre, período importante devido ao Dia das Crianças e ao Natal.

O caso ocorre após a venda do controle para a BluSun Capital Partners, anunciada em 31 de agosto. Héctor Núñez, CEO entre 2012 e 2020, retornou ao cargo. A reorganização das dívidas pode integrar a estratégia do novo controlador para recuperar o equilíbrio financeiro e viabilizar um plano operacional sustentável.

Prevista na Lei nº 11.101/2005, a recuperação extrajudicial permite negociar diretamente com credores e submeter o acordo à homologação judicial. Diferentemente da recuperação judicial, pode abranger apenas determinadas classes de créditos, sem envolver, necessariamente, todo o passivo, e tende a ter uma estrutura menos complexa. O resultado depende da adesão dos credores e da viabilidade do plano.

Após as mudanças da Lei 14.112/2020, a empresa pode apresentar o pedido com adesão de credores que representem pelo menos um terço dos créditos de cada espécie abrangida, desde que alcance a maioria exigida em até 90 dias. Se não conseguir as adesões necessárias, poderá avaliar a conversão em recuperação judicial. No caso da Ri Happy, o apoio inicial indica uma base de negociação, mas o resultado dependerá dos requisitos legais e da construção de um acordo viável.

A proteção temporária contra execuções relativas aos créditos abrangidos também pode preservar o caixa durante as negociações. Isso é relevante em período sazonal, quando estoques, fornecedores e capital de giro influenciam o desempenho.

A concorrência de plataformas como Shopee e AliExpress pressiona preços e margens. Além dos tributos, varejistas tradicionais enfrentam custos trabalhistas, logísticos e de manutenção de lojas físicas. Nesse cenário, renegociar dívidas pode ajudar a preservar operações, mas não resolve, por si só, problemas estruturais. A recuperação depende também da revisão de custos, da geração de caixa e de metas realistas para sustentar o negócio no longo prazo.

Advogado, sócio do STG Law e da Veritas Administração Judicial, especialista em reestruturação empresarial, com atuação em recuperação de empresas, negociação de dívidas e reorganização de negócios*

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