O Brasil firmou nesta sexta-feira (2) um acordo de cooperação com a empresa chinesa Tiantan Bio para ampliar as fontes de abastecimento de imunoglobulina humana, medicamento utilizado no tratamento de imunodeficiências, infecções bacterianas e alguns tipos de câncer do sangue. A parceria foi assinada pela Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), em São Paulo, e prevê fornecimento do medicamento, licenciamento e transferência de tecnologia.
O acordo também contempla a cooperação para o registro no Brasil de uma imunoglobulina humana de uso intravenoso. As etapas deverão seguir as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto os detalhes sobre fornecimento e transferência de tecnologia serão definidos em acordos específicos. Segundo o Ministério da Saúde, a parceria busca ampliar a capacidade tecnológica e produtiva da Hemobrás e reforçar a segurança do abastecimento de hemoderivados no SUS.
A imunoglobulina é produzida a partir do plasma humano, componente do sangue que contém proteínas utilizadas na fabricação de medicamentos. Para aumentar a disponibilidade dessa matéria-prima, o Ministério da Saúde investiu R$ 116 milhões na modernização de hemocentros. Ao todo, foram distribuídos 604 equipamentos para 125 serviços das 27 unidades federativas, incluindo 132 equipamentos para congelamento rápido e 472 freezers para armazenamento em baixas temperaturas.
Capacidade de armazenamento de plasma deve aumentar
De acordo com o Ministério da Saúde, a nova estrutura deve elevar em cerca de 30% a capacidade de armazenamento de plasma destinado ao uso industrial. O material poderá ser utilizado pela Hemobrás na produção de medicamentos estratégicos, como imunoglobulina humana, albumina e fatores de coagulação.
A distribuição dos equipamentos começou em outubro de 2025 e foi concluída em setembro de 2026. O governo afirma que a modernização deve ampliar o aproveitamento do plasma coletado pela rede pública e fortalecer a produção nacional de medicamentos derivados do sangue.
Hemocentros terão novo incentivo federal
Além dos equipamentos, o Ministério da Saúde anunciou um repasse de R$ 38 milhões aos hemocentros. Pela primeira vez, segundo a pasta, o incentivo federal mensal será destinado aos serviços de todas as unidades da Federação para apoiar a qualificação da rede.
A distribuição dos recursos levará em conta critérios como qualidade da gestão, eficiência operacional, capacidade de envio de plasma para a Hemobrás, cobertura dos serviços, aumento das doações voluntárias e redução do desperdício de hemocomponentes. A hemorrede brasileira reúne 2.097 serviços de hemoterapia, dos quais 1.722 fazem parte da rede pública.
O objetivo é ampliar a capacidade da rede pública de coleta, processamento e armazenamento de sangue e, consequentemente, aumentar a quantidade de plasma disponível para a fabricação de medicamentos no país. A estratégia faz parte das ações para reduzir a dependência de produtos e tecnologias importados na área da saúde.




