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No Recife, Lula apoia João Campos, associa família Bolsonaro a Vorcaro e INSS e cita fim das bets

Presidente fez caminhada com candidato do PSB ao governo de Pernambuco no Recife, defendeu ações de seu governo e criticou adversários na reta final do primeiro turno

Por admin 25 de setembro de 2026 9 min de leitura
Lula participa de ato no Recife ao lado de João Campos e cita fim das bets, Vorcaro e Família Bolsonaro e outros temas Crédito: Pedro Lima / O POVO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou nesta sexta-feira, 25, ao centro do Recife, o primeiro ato de campanha de sua passagem por Pernambuco nesta eleição. Ao lado de João Campos (PSB), candidato a governador do estado, da candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) e do senador Humberto Costa (PT), que disputa a reeleição, o petista percorreu o trajeto entre o Cais de Santa Rita e o Marco Zero, no Bairro do Recife.

A agenda ocorreu na reta final do primeiro turno e João Campos deseja a associação com a imagem do presidente, que é o principal cabo eleitoral do candidato do PSB no estado e declarou apoio formal à candidatura ainda na pré-campanha. O ato também ocorreu em um momento de disputa acirrada pelo Governo de Pernambuco.

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 24, apontou Raquel Lyra (PSD) com 48% das intenções de voto e João Campos com 44%. Pela margem de erro de três pontos percentuais, os dois candidatos estão em cenário de empate técnico no estado de Pernambuco.

Durante o discurso, Lula não fez críticas diretas à governadora Raquel Lyra, principal adversária de Campos na disputa estadual. O presidente, que mantém relação institucional com a gestora, concentrou a fala em realizações das gestões, propostas para um eventual novo mandato e ataques dirigidos principalmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao lembrar da relação com Pernambuco, Lula mencionou a mãe, Dona Lindu, que deixou o estado em direção a São Paulo quando o Lula ainda era criança. Outro elo foi a visita feita no bairro da Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife, em 2003, no início do primeiro mandato presidencial. Segundo ele, levou ministros ao local para que conhecessem as condições de vida da população.

“Eu queria que os ministros vissem como é que vive a parte mais pobre da população. Para eles saberem que eles não estão lá em Brasília governando para quem está de terno e gravata, eles têm que governar para o povo mais humilde e mais necessitado desse país”, afirmou.

O presidente também citou políticas do governo federal, como as cotas raciais nas universidades e a valorização do salário mínimo. “Eu tenho muito orgulho de, no nosso governo, ter aprovado as cotas para que o povo negro tivesse a oportunidade de entrar na universidade”, disse.

Lula afirmou ainda que pretende manter o aumento real do salário mínimo caso seja reeleito para um quarto mandato à frente da Presidência. “Enquanto eu for presidente da República, o salário mínimo terá aumento do crescimento da riqueza desse país”, garantiu.

 

Bets e combate à violência contra a mulher

Durante a caminhada, Lula carregou um cartaz com a inscrição “fim das bets”. O tema passou a ocupar espaço na campanha presidencial nas últimas semanas e também chegou à disputa estadual. Na quinta-feira, 24, João Campos declarou apoio à proposta de Lula de endurecer as medidas contra as plataformas de apostas. O candidato também defendeu que o combate às bets seja acompanhado de ações contra o crime organizado e de políticas públicas voltadas aos mais jovens.

No discurso no Marco Zero, Lula afirmou que teria uma agenda oficial em São Paulo, após deixar o Recife, e que entre as medidas previstas estaria uma iniciativa contra as plataformas de apostas. “Eu tenho um ato oficial para assinar algumas coisas. Uma delas é para acabar com as bets”, declarou.

O presidente também abordou o tema da violência contra mulheres e defendeu mudanças de comportamento entre os homens. “Não são nossas propriedades, elas moram com a gente, e a gente gosta delas e trata elas bem. Se a gente não tratar, mulher não tem que ficar aturando desaforo. E muito menos violência”, assegurou.

Lula associa Bolsonaro a caso do INSS e cita Vorcaro

O discurso também teve ataques à família Bolsonaro, adversária de Lula na eleição presidencial com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair. O petista citou as investigações sobre descontos associativos indevidos em benefícios do INSS e atribuiu o esquema a pessoas ligadas ao governo anterior.

“Eles criaram uma quadrilha da Previdência Social que roubou 3 bilhões e meio dos aposentados. E nós descobrimos a quadrilha, prendemos a quadrilha, recuperamos 6 bilhões e já pagamos 3 bilhões e meio aos aposentados”, reiterou. Lula também afirmou que a organização teria sido “criada pelo Bolsonaro” e declarou que integrantes da família do ex-presidente estão envolvidos.

Na sequência, citou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master e principal alvo de investigações, e relacionou o nome dele ao grupo político adversário. “Votar na família Bolsonaro é votar em Vorcaro. Votar no Bolsonaro é votar na quadrilha que assaltou a Previdência Social”, bradou.

João Campos promete governar Pernambuco ao lado de Lula

Durante o discurso, João Campos aproveitou a presença do presidente para reforçar a associação entre as candidaturas dele e de Lula. O socialista afirmou estar preparado para assumir o Palácio do Campo das Princesas caso seja eleito e apresentou a relação com Lula como parte de seu projeto para o Estado.

“Estou pronto, animado, para ser um grande governador de Pernambuco ao seu lado. Porque aqui nós temos lado e compromisso”, disse, dirigindo-se ao petista.

João listou entre as prioridades a reindustrialização de Pernambuco, a ampliação do acesso ao Ensino Superior e à educação técnica, a conclusão da Transnordestina até Suape e a expansão do abastecimento de água.

Ao defender um novo ciclo de industrialização, citou a Refinaria Abreu e Lima e a fábrica da Jeep como empreendimentos instalados em Pernambuco durante governos do PSB e destacou a participação de Lula na articulação política para a chegada desses investimentos.

O candidato também relacionou desenvolvimento econômico à formação profissional. Segundo João, a experiência de sua gestão na Prefeitura do Recife poderia ser ampliada para o Estado, com políticas voltadas à entrada de moradores de áreas periféricas no ensino superior e em postos de trabalho qualificados.

A Transnordestina é uma das principais promessas de João. O candidato afirmou que pretende trabalhar com o governo federal para concluir a ligação ferroviária até Suape. “Tenho certeza que juntos haveremos de concluir a Transnordestina em Pernambuco”, anunciou.

O candidato também adaptou uma das principais marcas políticas de Lula — a retirada do Brasil do Mapa da Fome — para um problema histórico de Pernambuco. “Chegou a hora de tirarmos Pernambuco do mapa do racionamento de água”, prometeu. João disse que pretende ampliar, em parceria com o governo federal, a produção, o armazenamento e a distribuição de água.

A aliança com Lula também apareceu em pautas nacionais. João citou o fim da jornada 6×1, o combate ao feminicídio, a expansão do SUS, das universidades e dos institutos federais. Como presidente nacional do PSB, afirmou que o partido pretende apoiar essas medidas no Congresso.

“Para todas essas medidas, o senhor vai contar comigo e contará com o partido que eu presido, o PSB, para lutar pelo povo no Congresso Nacional”, determinou.

Referência a Eduardo Campos

A parte final do discurso de João teve um tom mais pessoal. O candidato entregou a Lula um pau de arara produzido por artesãos pernambucanos, presente que, segundo ele, seus pais haviam comprado para o presidente em 2012 e mantido guardado na casa da família. O objeto foi apresentado como uma referência à trajetória de Lula.

Ao contar a história do presente, João também mencionou o pai, o ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014 em uma queda de avião, durante a campanha presidencial.

O candidato afirmou que tem sentido a presença do pai durante a atual disputa pelo governo. “Eu tive certeza que o meu pai estava do meu lado nessa caminhada. Meu pai nunca teve a oportunidade de me ver discursando, nem eu nunca subir num palanque ou num palco para falar ao lado dele”, disse.

Em seguida, associou a memória do ex-governador à tentativa de chegar ao Palácio do Campo das Princesas. “Eu vou ter a oportunidade, com fé em Deus e em Nossa Senhora, de ser governador de Pernambuco com Lula presidente”, declarou.

Ao final, João pediu votos para Lula, para sua candidatura ao governo e para os nomes da chapa da Frente Popular ao Senado. Também fez um apelo para que a campanha não fosse marcada por ataques pessoais.“Não vamos cair na ira nem na agressividade de adversários. O nosso compromisso é com o povo. O nosso debate é com quem precisa de um Brasil melhor”, afirmou.

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