Os empregados da Caixa Econômica Federal aprovaram greve por tempo indeterminado a partir de 10 de setembro, quinta-feira, após rejeitarem a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentada pelo banco. A paralisação deve afetar o atendimento presencial em agências de todo o país, enquanto caixas eletrônicos, internet banking e aplicativo devem continuar operando. Em Goiás, agências já fecharam antecipadamente nesta terça-feira (8).
A rejeição da proposta do banco para o ACT foi massiva, segundo entidades sindicais. Em assembleias realizadas nas últimas semanas, 93 bases sindicais aprovaram a greve por tempo indeterminado a partir de 10 de setembro, enquanto outras 35 optaram por retomar negociações antes de aderir, conforme levantamento da Folha1. Em Belo Horizonte e região, a rejeição alcançou 93,5% dos votantes, segundo o Estado de Minas. Na Bahia, o índice foi de 97,52%, de acordo com o BNews.
O principal ponto de atrito é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. A proposta da direção prevê aumento da contribuição de aposentados e pensionistas de 3,5% para 4,5% da remuneração, elevação da cobrança por dependente de R$ 480 para R$ 660 e mudança do teto de contribuição familiar de 7% para 9%, segundo o Estado de Minas. Os sindicatos reivindicam a retirada do Saúde Caixa da campanha salarial e a manutenção do modelo de custeio 70/30.
A Caixa, em nota, afirmou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas e busca uma solução “pautada pela valorização dos empregados, pela sustentabilidade da instituição e pelo compromisso com a continuidade dos serviços prestados à sociedade”. A paralisação foi formalizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) nos termos da Lei de Greve (Lei nº 7.783/1989), conforme o Jornal Passaporte.
O que muda para os clientes
Com a greve, o atendimento presencial nas agências pode ser parcial ou totalmente interrompido, dependendo da adesão dos funcionários em cada unidade. Em Goiás, cerca de 150 agências e postos de atendimento podem ser impactados, segundo o sindicato local. Os canais digitais, como aplicativo e internet banking, devem seguir funcionando, assim como caixas eletrônicos e casas lotéricas, que continuam como alternativa para saques de benefícios sociais, FGTS e pagamento de contas.
A paralisação ocorre em meio à campanha salarial dos bancários. Nos bancos privados, a proposta da Fenaban foi aprovada com aumento real de INPC +0,6%, e a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2028 está prevista para esta quarta-feira (9), segundo o Hora do Povo. A greve na Caixa também pode atingir, em menor escala, o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste em alguns estados.
Riscos e próximos passos
Há possibilidade de acordo de última hora: a CONTEC afirmou que permanece aberta a novas tratativas e que uma solução negociada antes de 10 de setembro pode impedir a paralisação. No entanto, se a greve se prolongar, há risco de atrasos no pagamento de benefícios sociais e na contratação de financiamentos imobiliários, além de possível instabilidade nos canais digitais caso profissionais de tecnologia adiram ao movimento. A Caixa não divulgou números próprios de adesão, e as informações de rejeição partem majoritariamente de sindicatos.
Na quinta-feira (10), estão previstos atos em várias cidades, como em Belo Horizonte, em frente à agência Século da Caixa. Os próximos passos incluem uma nova rodada de negociação entre as entidades sindicais e a direção do banco, ainda sem data definida.




