A Polícia Federal aponta um dos filhos do presidente Lula (PT) como beneficiário indireto da ação da empresária e lobista Roberta Luchsinger, que teria buscado contatos políticos para facilitar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.
O apontamento da PF foi revelado em reportagem publicada nesta quinta-feira (20) pela revista Veja, com base em um dos relatórios policiais que miram o filho de Lula, cujo teor foi confirmado pela Folha.
O filho do presidente é Fábio Luís, que ficou conhecido como Lulinha. Ele é amigo de Roberta e está no centro de uma investigação que inclui três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).
“As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”, afirma o documento da PF reproduzido pela revista.
As investigações da PF também apontam que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, teria intermediado uma reunião de Roberta com Swedenberger Barbosa, que na época era secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Hoje, Barbosa trabalha no gabinete de Lula. Segundo a reportagem, após a reunião, Roberta enviou a Marcola uma minuta do contrato de venda de canabidiol ao governo. O ex-chefe de gabinete de Lula já havia dito à reportagem que não repassou o contrato adiante.
As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Tanto o filho do presidente quanto Marcola negam irregularidades. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, classificou como “esculhambação” a atuação de setores da PF que vazam informações. A reportagem procura os citados, mas ainda não obteve resposta.
A respeito de uma afirmação de Roberta de que o presidente teria perguntado a ela qual cargo gostaria de ocupar em seu governo, Lula afirmou a auxiliares não conhecer a lobista, acrescentando ter ouvido falar nela ao ser informado da existência de uma banqueira interessada em apoiar financeiramente a campanha Lula livre. “Isso seguramente nunca aconteceu”, disse Marco Aurélio.
A defesa de Marcola, por sua vez, afirmou não ter tido, até o momento, acesso à íntegra dos
autos e do inquérito.
“O vazamentos seletivo de trechos da documentação, em vez da totalidade do conteúdo, tem objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral. Marco Aurélio Santana Ribeiro jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os valores mencionados na reportagem foram todos integralmente quitados, uma vez que são referentes a um empréstimo pessoal”, diz nota.
Com informações da Reuters




