Após prometer atacar o Irã “com muita força” esta noite e tomar o controle de instalações petrolíferas do país, Trump recuou e passou a mencionar a possível “assinatura” de um acordo.
“Os Estados Unidos atacarão o Irã (…) COM MUITA FORÇA esta noite”, declarou inicialmente o republicano em sua plataforma Truth Social. As ofensivas voltaram a se intensificar nos últimos dias, mais de três meses após o início do conflito.
Mas Trump então anunciou o “cancelamento” dos bombardeios após discussões “no mais alto nível”, evocando a possibilidade de um entendimento diplomático cujos “pontos finais”, segundo ele, já teriam sido definidos.
“Cancelei os ataques e bombardeios que estavam planejados contra o Irã esta noite”, escreveu Trump, acrescentando que a “data e o local” da assinatura serão anunciados em breve.
De acordo com o presidente americano, os termos do acordo teriam sido aprovados “em conceito e em detalhes” por diversos países envolvidos, entre eles Estados Unidos, Israel e várias potências regionais. Apesar do recuo militar, Washington manterá o bloqueio naval ao Irã até a finalização da “transação”.
Autoridades iranianas, por sua vez, não confirmaram a existência de qualquer acordo com Washington e afirmaram que nenhum texto foi aprovado até o momento.
Situação de instabilidade diplomática
A sequência de declarações contraditórias de Trump ao longo do dia ilustra a volatilidade da estratégia americana. Horas antes de anunciar o cancelamento dos ataques, o presidente havia reiterado não apenas a intenção de bombardear o território iraniano, mas também de assumir o controle de infraestruturas energéticas estratégicas, incluindo a ilha de Kharg, principal polo exportador de petróleo do país.
Situada no Golfo Pérsico, a ilha de Kharg é considerada vital para a economia iraniana: cerca de 90% das exportações de petróleo bruto passam por esse terminal, tornando-o um alvo de importância crítica tanto militar quanto econômica. Qualquer ação contra essa infraestrutura teria impacto imediato sobre os mercados globais de energia e poderia ampliar ainda mais o conflito regional.
Em entrevista à Fox News, Trump manteve a ambiguidade sobre seus reais planos. Embora tenha indicado que a tomada da ilha sempre foi sua “preferência”, o presidente reconheceu dúvidas quanto ao apoio da opinião pública americana. “Sinceramente, não sei se os Estados Unidos têm coragem para isso”, afirmou, sinalizando reservas quanto a uma escalada mais profunda do conflito.
A mudança abrupta de posição remete a episódios recentes: em abril, Trump já havia alternado ameaças extremas com anúncios de cessar-fogo no espaço de poucas horas. Esse padrão contribui para aumentar a incerteza em torno da estratégia americana e da credibilidade das negociações em curso.
Apesar do tom otimista da Casa Branca, poucos detalhes concretos foram divulgados sobre o conteúdo do possível acordo com Teerã. Ao mesmo tempo, as tensões permanecem elevadas, com confrontos pontuais e alertas de retaliação por parte do Irã em caso de novos ataques.
O anúncio do cancelamento dos bombardeios pode, assim, sinalizar uma tentativa de reabrir espaço para a via diplomática após meses de confronto. Mas, diante das reviravoltas sucessivas e da ausência de garantias claras, o desfecho da crise permanece incerto.




