O presidente Lula articulou com aliados a indicação de Márcio França (PSB) como vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, nesta semana. O PSB, porém, ainda discute se França concorre ao Senado, e o impasse segue sem data definida.
O impasse irritou Haddad, que tenta fechar a composição nos próximos dias. A definição deve ocorrer antes do começo de junho, para que o plano de governo avance no mês seguinte.
Segundo O Estado de S. Paulo, a preferência de Lula por França foi repassada no processo de articulação. O GLOBO confirmou a informação com pessoas envolvidas nas negociações políticas.
Na semana passada, a executiva nacional do PSB tratou a candidatura de França como prioridade. O partido também colocou Simone Tebet (PSB) no centro da estratégia para a segunda vaga do grupo ao Senado.
A pressão por composição ocorre enquanto a Federação PSOL-Rede busca outras siglas para ampliar o apoio à candidatura de Marina Silva (Rede). Lula recebeu a posição do PSB durante as tratativas.
Dias antes, Lula cumpriu agendas em São Paulo ao lado de Tebet e Marina Silva. Ele pediu ao público, formado por motoboys e sindicalistas, “um dia, dar voto para as duas”.
Parte da campanha de Marina interpretou a fala como um apoio político à composição. Interlocutores de França minimizaram o episódio.
Desde o fim de abril, Haddad conversa com um trio de ex-ministros do governo Lula sobre os rumos da chapa estadual. Marina Silva afirmou na sexta-feira (29) que as discussões se afunilam e devem resultar em definição até a primeira semana de junho.
O debate sobre o Senado envolve desempenho eleitoral e o ganho de visibilidade na chapa. O posto de vice tende a ter menor apelo, e a disputa aparece ainda mais difícil para o PT diante da possibilidade de vitória contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cenário tratado como inédito.
Ao mesmo tempo, aliados de Marina defendem ampliar a pluralidade no Senado e citam pesquisas em que ela lidera, mas com rejeição maior. França se apresenta como um nome de centro e ligado ao meio político paulista, embora a derrota para o senador Marcos Pontes (PL) na eleição passada pese no cálculo interno.
Fonte: O Globo




