O turismo de base comunitária tem se consolidado como uma importante ferramenta de valorização cultural, geração de renda e fortalecimento das comunidades tradicionais no Piauí. Em diferentes regiões do estado, povos indígenas e quilombolas transformam suas histórias, saberes e modos de vida em experiências autênticas de acolhimento, resistência e preservação da memória coletiva.
Na comunidade Nazaré, zona rural de Lagoa de São Francisco, no semiárido piauiense, mulheres indígenas dos povos Tabajara e Tapuio-Itamaraty lideram o Museu Indígena Anízia Maria dos Povos Tabajara e Tapuio-Itamaraty (MUPI), o primeiro museu indígena do Piauí gerido por mulheres indígenas.
Mais do que um espaço de exposição, o museu se tornou um centro vivo de fortalecimento identitário, educação ancestral e desenvolvimento comunitário. O local preserva objetos históricos, memórias familiares, práticas culturais e saberes tradicionais repassados entre gerações.
Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Lagoa de São Francisco possui 681 indígenas em uma população de 6.331 habitantes. Somente a aldeia Nazaré abriga cerca de 450 indígenas dos povos Tabajara Tapuio-Itamaraty.
Criado em 2016 em uma pequena casa da comunidade, o museu nasceu a partir da doação de peças e objetos históricos feitos pelos próprios moradores. Atualmente, o espaço recebe visitantes de diversas regiões do Brasil e do mundo. Apenas em 2024, mais de três mil pessoas passaram pelo local, fortalecendo o turismo de experiência e o intercâmbio cultural no estado.
Para Dinayana Tabajara, diretora do museu, o espaço representa um organismo vivo da história indígena no Piauí. “As pessoas pensam que o museu é só passado, mas não. O museu está fazendo história, o museu é presente. O museu é vivo, o museu somos nós”, enfatiza.
Além das atividades culturais e turísticas, as mulheres da comunidade também atuam na agricultura familiar, agroecologia, produção de mudas nativas e comercialização de alimentos por meio de programas de aquisição do Governo Federal e da Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF).

Turismo comunitário amplia visibilidade das comunidades tradicionais
A Secretaria de Estado do Turismo do Piauí (Setur) vem fortalecendo ações voltadas ao turismo de base comunitária, incentivando a participação de comunidades tradicionais em feiras, eventos e espaços de promoção turística dentro e fora do estado.
O coordenador de Controle Interno da Setur e representante das ações de turismo de base comunitária, Kalil Albuquerque, destaca que o Piauí possui uma riqueza cultural ainda pouco conhecida por muitos piauienses. “Muito se fala do turismo do litoral e das praias do Piauí, mas o estado também é riquíssimo quando se trata das comunidades quilombolas e indígenas. Lugares como o Quilombo Mimbó, em Amarante, e o Museu dos Povos Indígenas, em Lagoa de São Francisco, possuem uma riqueza histórica e cultural imensa, com destaque inclusive internacional”, ressalta.
A coordenadora de Operadores de Turismo da Setur, Arcanja Viana, destaca a importância de inserir essas comunidades nos grandes eventos turísticos nacionais. “Recentemente participamos do Brasil Travel Market, em Fortaleza, levando representantes da comunidade Mimbó para rodas de conversa com estudantes, professores e operadores de turismo. Também estivemos no Salão Nacional do Turismo com integrantes do Museu Indígena Anízia Maria, que apresentaram seu artesanato, compartilharam suas histórias e divulgaram sua comunidade para visitantes de todo o país”, explica.

Quilombo Mimbó: ancestralidade e resistência
Outro destaque do turismo de base comunitária no Piauí é o Quilombo Mimbó, localizado no município de Amarante. Fundado há mais de 200 anos por famílias negras que fugiram da escravidão em Pernambuco, o território é hoje símbolo de resistência, memória e protagonismo feminino.
Reconhecido pela Fundação Cultural Palmares em 2006, o quilombo preserva tradições culturais como o Pagode do Mimbó, festivais culturais, oficinas de artesanato e atividades voltadas ao fortalecimento da identidade afro-brasileira.

A comunidade oferece experiências autênticas de turismo de base comunitária, proporcionando aos visitantes contato direto com a cultura quilombola, a culinária tradicional e os modos de vida da comunidade.
Durante os eventos realizados no Espaço Cultural do Mimbó, visitantes podem conhecer feiras de artesanato, produtos orgânicos e a tradicional cozinha quilombola, promovendo geração de renda e valorização dos saberes locais.
Para o secretário de Estado do Turismo, Daniel Oliveira, o turismo de base comunitária representa um importante instrumento de inclusão, valorização cultural e desenvolvimento sustentável. “O turismo de base comunitária fortalece as identidades locais, gera oportunidades e permite que as próprias comunidades sejam protagonistas das suas histórias. O Piauí possui um patrimônio humano, cultural e ancestral extraordinário, e nosso compromisso é ampliar a visibilidade dessas experiências para o Brasil e o mundo”, finalizou.





