De acordo com o chefe de polícia da província de Halmahera do Norte, Erlichson Pasaribu, cerca de vinte turistas se encontravam nas encostas do vulcão no momento da erupção. Nove eram cidadãos de Singapura e os demais, indonésios. As autoridades informaram que 17 pessoas foram resgatadas com vida poucas horas depois, algumas delas com ferimentos leves, e levadas a hospitais da região.
“Há três mortos, dois estrangeiros e um residente da Ilha de Ternate”, afirmou Erlichson à imprensa, em uma estação de monitoramento vulcânico na vila de Mamuya. Segundo ele, os corpos das vítimas permaneciam na montanha, enquanto a situação seguia perigosa demais para o início imediato do resgate.
“A condição ainda é considerada muito perigosa para uma evacuação”, explicou o chefe de polícia. “A equipe conjunta está aguardando o momento apropriado para iniciar as buscas”, acrescentou.
Trilha era desaconselhada pelas autoridades
As autoridades informaram ainda que o guia e um carregador responsáveis pelo grupo foram levados à delegacia e poderão responder criminalmente por conduzir turistas a uma área restrita. Segundo a polícia, havia alertas oficiais que desaconselhavam a aproximação do vulcão devido ao risco elevado de erupção.
Um outro guia, Alex Djangu, que acompanhava outro grupo de turistas e estava na região no momento da erupção, afirmou ter percebido sinais incomuns horas antes do desastre. “Foi a primeira vez que vi o vulcão tão calmo”, relatou à AFP. Segundo ele, a ausência de atividade visível indicava aumento da pressão interna. “Avisei os clientes de que uma grande erupção iria acontecer, e minha previsão se mostrou correta”, disse.
No momento da erupção, dois grupos de turistas, somando cerca de 15 pessoas, estavam na borda da cratera, segundo Djangu. Ele acompanhava dois turistas alemães, que sobreviveram por estarem dentro do perímetro de segurança. O guia classificou o episódio como a maior erupção do Monte Dukono que já presenciou.
A erupção foi acompanhada por um forte estrondo e por uma coluna densa de fumaça e cinzas, que se elevou a cerca de dez quilômetros acima do cume do vulcão, segundo Lana Saria, chefe da Agência Nacional de Geologia da Indonésia. As cinzas se deslocavam para o norte, levando as autoridades a alertar moradores da cidade de Tobelo para o risco de queda de material vulcânico.
“A fumaça pode ser prejudicial à saúde e causar interrupções nos serviços de transporte”, afirmou Lana em comunicado. Não há vilarejos em um raio de nove quilômetros do vulcão.
O Monte Dukono, que atinge 1.335 metros de altura, encontra-se atualmente no nível três de alerta, em uma escala de quatro. Desde dezembro, o Centro de Vulcanologia e Mitigação de Riscos Geológicos vinha aconselhando turistas e alpinistas a manter uma distância mínima de quatro quilômetros da cratera do vulcão Malupang Warirang, considerado um dos mais ativos do país.
Segundo Erlichson Pasaribu, os turistas ignoraram os avisos oficiais, incluindo alertas divulgados nas redes sociais e placas de advertência afixadas no início da trilha. “Os moradores locais compreendem os riscos e evitam a escalada”, afirmou. “Muitos dos turistas estrangeiros querem criar conteúdo para as redes sociais”, acrescentou.
Após o incidente, as autoridades anunciaram que nenhuma caminhada será permitida na região enquanto o nível de alerta permanecer em vigor. “Vamos monitorar de perto as rotas e impedir qualquer acesso”, disse o chefe de polícia.
A Indonésia abriga cerca de 130 vulcões ativos e registra frequentes atividades sísmicas por estar situada no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma das áreas tectônicas mais instáveis do planeta.




