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Bruno Covas vence Boulos e é reeleito prefeito de São Paulo

Por admin 30 de novembro de 2020 4 min de leitura
Bruno Covas foi reeleito em São Paulo

Herdeiro de um dos sobrenomes mais emblemáticos da política paulista, Bruno Covas (PSDB) superou seu avô, ao menos no que diz respeito à Prefeitura de São Paulo. Mário Covas não chegou ao cargo por escolha popular. Ele foi o último prefeito biônico antes de democratização, em 1983. Bruno, de 40 anos, seguia uma história parecida – era o vice na chapa vencedora de 2016 -, até ganhar a eleição no segundo turno, neste domingo, 29.

Segundo aliados, uma vitória com gosto de superação, além de uma carga de emoção não prevista. Com 96,50 das urnas apuradas, o tucano está matematicamente reeleito, derrotando Guilherme Boulos, isolado nos últimos dois dias da campanha após anunciar que contraiu o novo coronavírus. O tucano obteve 59,38% dos votos válidos, ante 40,62% do candidato do Psol.

Quando a pandemia chegou, Bruno Covas já era reconhecido nas ruas como prefeito da capital. Tinha ganhado fama de corajoso e conquistado a empatia de parte da população. No início de outubro, com a campanha no ar, pôde reforçar que sua gestão tinha aberto e fechado dois hospitais de campanha e retomado obras paralisadas até maio na área da saúde.

Começou em segundo lugar nas pesquisas – o recall de Celso Russomanno (Republicanos), mais uma vez, o colocava à frente -, mas foi subindo gradativamente e marcou 32% dos votos válidos no primeiro turno – 12 pontos à frente de Boulos.

Sempre calmo em debates e entrevistas (até demais em alguns momentos), Covas chegou ao dia 15 de novembro com a lição de casa toda feita. Considerado um bom articulador político, conseguiu o apoio de outros nove partidos, além do PSDB, da forma mais tradicional que se conhece na política: fazendo composições e concedendo agrados aos aliados. Em seu atual governo, ao menos oito desses partidos têm ou já tiveram cargos no alto escalão.

O indicado para a chapa por uma dessas siglas coligadas, no entanto, virou o calcanhar de aquiles de Covas na reta final: Ricardo Nunes, o vereador do MDB indicado (e eleito) vice-prefeito da cidade.

Conhecido na zona sul por indicar entidades para formarem convênios com a Secretaria Municipal da Educação na oferta de vagas em creche, Nunes tem ex-assessores como gestores de algumas dessas unidades, recebendo mais de R$ 1,4 milhão em aluguéis por ano da Prefeitura. Fato que, como Nunes reforça, não o rendeu nenhuma denúncia, mas deu munição até o fim à campanha de Boulos.

Pressionado, Covas passou a esconder ainda mais o vice e teve de reconhecer que o vereador não foi sua primeira escolha. Por mais de uma vez, admitiu que a chapa ideal, em sua avaliação, incluía uma mulher. A definição do nome de Nunes, no entanto, fugiu de suas mãos. Foi articulada por Doria, o MDB, claro, e o vereador Milton Leite (DEM), chamado por parte de seus colegas na Câmara de “primeiro-ministro”, tamanha sua influência no Edifício Matarazzo. Nunes é próximo a ele.

Mesmo mais apertada do que se esperava, a vitória de Bruno serve para dar um certo respaldo à renúncia de Doria em 2018 para disputar e vencer o governo do Estado – exatamente como ocorreu com Gilberto Kassab (PSD) em 2008 após chegar ao cargo de prefeito a partir da renúncia do também tucano José Serra. A diferença é que, desta vez, o comando da cidade permanece com o mesmo partido.

O apoio do PSDB à candidatura, aliás, se deu de forma homogênea e unânime. Se, no momento da descoberta do câncer a sigla temeu ser obrigada a escolher outro filiado para a disputa, ao longo do tratamento de Covas o partido fechou em torno de seu nome e lhe deu condições de fazer uma campanha sem muitos altos e baixos.

Até a sexta-feira, o investimento financeiro na reeleição já somava R$ 19,2 milhões em receitas

Fonte: terra.com.br
Foto: Reprodução

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