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Líder supremo do Irã confirma que ataques aos EUA vão continuar

O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, se pronunciou pela primeira vez após a nomeação. Em mensagem, ele lamentou a morte do pai e antecessor, pediu para países vizinhos fecharem bases americanas em seus territórios, instou a população a se manter unida e prometeu vingança pelos mortos na guerra contra os EUA e Israel.

 

O religioso também anunciou que o Estreito de Hormuz, que tem gerado crise no mercado global de petróleo, deve continuar fechado. (Leia o comunicado abaixo)

Mojtaba fez um apelo para que nações do Golfo pérsico fechem as bases americanas usadas para atacar o Irã.

“O inimigo, ao longo de anos, estabeleceu gradualmente bases — militares e financeiras — em alguns desses países para garantir seu domínio sobre a região”, argumentou, acrescentando que quer manter relações construtivas com os vizinhos.

O líder também definiu que o fechamento do Estreito de Hormuz deve continuar. Ele direcionou o pedido às forças de segurança do país, para que trabalhem com esse “instrumento estratégico”.

O aiatolá prometeu se vingar por cada uma das mortes ocorridas no conflito — que passavam de mil hoje, segundo o último balanço divulgado. “A vingança que temos em mente não se refere apenas ao martírio do líder da Revolução. Cada membro da nação que for morto pelo inimigo constitui um caso próprio para vingança”, ameaçou.

Confira o comunicado
‘Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.

Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.

No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.

A segunda parte de minhas palavras dirige-se ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.

Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.

Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.

Em seguida, é necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.

O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.

O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.

A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.

Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.

Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança nele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elixir supremo e um elemento precioso que garante diversos caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.

Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.

Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis a diferentes grupos da sociedade.

Que o enfrentamento ao inimigo nesse aspecto esteja no foco da atenção de todos.

Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando naturalmente alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também a oportunidade para pedir às instituições de serviço que não poupem qualquer tipo de ajuda e assistência a esses queridos membros da nação e às estruturas populares de socorro.

Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. O exemplo mais próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.

A terceira parte de minhas palavras é um sincero agradecimento aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa querida pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e os afastaram da ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividir’.

Com informações da Reuters

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