O clérigo Mojtaba Khamenei, 56, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi anunciado neste domingo (8) como novo líder supremo do Irã, segundo a imprensa estatal iraniana. Seu pai, o segundo a ocupar o posto de autoridade máxima do país persa, foi morto por um ataque aéreo de Israel em sua residência oficial no sábado (28).
Mojtaba se torna o terceiro líder supremo da história da República Islâmica iniciada em 1979. O primeiro, Ruhollah Khomeini, morreu em 1989, sendo substituído por Ali Khamenei.
O líder eleito em 2026 é o segundo filho de Khamenei e há anos era cotado para ser seu sucessor. Ele foi escolhido pela Assembleia de Especialistas, um grupo de 88 clérigos eleitos em 2024.
Apesar de serem escolhidos por decisão popular, na prática, o colegiado é formado por indicados que passam pelo crivo do líder supremo (no caso, Ali Khamenei) e de seus aliados. Dessa forma, a decisão é controlada pelo grupo político do aiatolá.
Depois do anúncio, a assembleia pediu aos iranianos que mantenham a unidade e jurem apoio a Mojtaba, segundo informações da rede qatari Al Jazeera. Em um comunicado divulgado pela mídia estatal, a assembleia afirmou que Khamenei foi escolhido com base em uma “votação decisiva” e convocou todos os iranianos, “especialmente as elites e os intelectuais dos seminários e universidades”, a “jurarem lealdade à liderança e a manterem a unidade”.
A Guarda Revolucionária do Irã jurou lealdade ao novo líder após sua nomeação. “O corpo da Guarda Revolucionária Islâmica está pronto para completa obediência e sacrifício no cumprimento dos comandos [de Mojtaba]”, declarou em um comunicado.
A Guarda, esteio do regime e próxima a Mojtaba, afirmou ainda que a eleição do novo líder é um “novo amanhecer e uma nova fase para a revolução e o domínio da República Islâmica”.
O novo líder supremo não possui o título de aiatolá, o mais alto posto religioso no Islã xiita, mas tem credenciais religiosas, como a de ministrar aulas populares em seminários xiitas.
Essa não seria a primeira vez que o título foi concedido depois da eleição para o cargo de líder supremo —seu pai, Ali Khamenei, também não estava no topo da hierarquia religiosa quando foi escolhido em 1989. Para que ele pudesse ser indicado, foi preciso alterar a Constituição iraniana.
Com informações da Reuters




