A mãe da vereadora Marielle Franco, Marinete da Silva, deixou o plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aos prantos nesta quarta-feira (25), em Brasília, após passar mal durante o segundo dia do julgamento dos acusados de mandar matar a filha e o motorista Anderson Gomes.
Mal-estar durante leitura da delação
O mal-estar ocorreu no momento em que o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, começou a citar a delação premiada de Ronnie Lessa, executor confesso do atentado, descrevendo o planejamento do assassinato.
Amparada pela filha e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, Marinete deixou o plenário acompanhada por um bombeiro do STF. Ela chorava de forma intensa enquanto Moraes lia os trechos que detalhavam a preparação do crime.
Na antessala do plenário, a mãe da vereadora recebeu atendimento de dois bombeiros e apoio emocional de Anielle e da neta Luyara Santos. Marinete relatou que o mal-estar pode ter sido causado por um aumento de pressão arterial provocado pelo estresse do julgamento.
Família acompanha sessão sob forte emoção
Marinete e Anielle permaneceram por mais de 40 minutos na área externa do plenário, enquanto a sessão prosseguia. O pai de Marielle, Antônio Francisco da Silva Neto, optou por continuar no plenário acompanhando atentamente a leitura do voto de Moraes.
Ele deixou o local por alguns instantes para verificar o estado de saúde da esposa e retornou com ela à sessão de julgamento. A família acompanha de perto o julgamento dos quatro réus apontados como mandantes e envolvidos na execução.
Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, e o motorista Anderson Gomes morreram em 14 de março de 2018, após serem atingidos por disparos no centro da cidade. O caso gerou forte repercussão nacional e internacional e se tornou símbolo da cobrança por respostas do Estado.
Moraes aponta motivações do crime
Logo na abertura de seu voto, Alexandre de Moraes apresentou sua interpretação sobre as motivações do assassinato da ex-vereadora. O ministro votou pela condenação dos quatro réus e afirmou que as provas reunidas pela Polícia Federal contra Chiquinho Brazão e Domingos Brazão são “coerentes” e “harmonizadas”.
Segundo Moraes, os elementos demonstram a motivação do crime e a forma de pagamento pelo assassinato executado por Ronnie Lessa. Para o relator, houve a convergência de diferentes fatores na decisão de eliminar a vereadora.
“Se juntou a questão política com a misoginia, o racismo, a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava, no popular, peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? Na cabeça misógina, preconceituosa, dos mandantes e executores, quem iria ligar para isso? ‘Vamos eliminá-la e isso não terá grande repercussão'”, disse o ministro.
Na visão de Moraes, o crime buscou enviar um “recado” a quem enfrentava interesses de grupos criminosos, combinando motivação política com preconceitos de gênero e raça.




