O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), protocolou nesta segunda-feira (9) um novo atestado médico, que o afasta do trabalho por mais 90 dias. Ele é alvo de denúncias de importunação sexual.
A reportagem apurou que Marco Buzzi alegou “questões psicológicas” para o afastamento do trabalho.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou que recebeu uma nova denúncia de importunação sexual contra o ministro. Na semana passada, o conselho recebeu a primeira denúncia contra ele: uma jovem de 18 anos, que é filha de um casal de amigos do ministro, o acusa de tentar agarrá-la durante um banho de mar em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina.
Carta enviada a ministros do STJ
O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enviou uma carta aos demais ministros do tribunal. No documento, que a Band teve acesso, ele nega as acusações de importunação sexual e afirma que demonstrará sua inocência (leia a carta completa abaixo).
“De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência”, escreveu Buzzi.
“Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado. Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”, continuou.
Segundo ele, esse histórico não é “invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica”.
Leia a carta do ministro
Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.
Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.




