Dois dias após o acidente que matou 16 romeiros na rodovia AL-220, em São José da Tapera, no Sertão de Alagoas, a Polícia Científica do estado confirmou que o ônibus não apresentava falhas mecânicas. De acordo com os exames periciais, foram descartados problemas nos sistemas de freio, suspensão e pneus do veículo. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (5).
A análise foi concluída pelo chefe do Núcleo de Identificação Veicular do Instituto de Criminalística (IC) de Maceió, o perito criminal Nivaldo Cantuária. Ele retornou ao local do acidente na quarta-feira (4) para realizar exames complementares, após já ter feito uma avaliação preliminar no dia do capotamento.
Segundo o perito, como a suspensão a ar do ônibus estava baixa, deixando o veículo muito próximo ao solo, foi necessário o apoio de um caminhão-guincho para possibilitar a inspeção completa dos sistemas.
“Foi preciso retornar com o auxílio de um guincho para inspecionar os sistemas de freio e de suspensão. Todos os pneus apresentavam banda de rodagem adequada para o uso rodoviário. Portanto, não foi constatado nenhum problema de ordem mecânica”, afirmou.
Com o segundo exame, a perícia considerou a análise técnica concluída. O laudo final, com todos os detalhes, será encaminhado à delegacia responsável pela investigação.
As causas do acidente seguem sob investigação da Polícia Civil.
Relembre o acidente
O ônibus envolvido no acidente que deixou ao menos 16 mortos em São José da Tapera, no sertão de Alagoas, fazia transporte clandestino de passageiros, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A bordo, cerca de 60 fiéis retornavam de Juazeiro do Norte (CE) para Coité do Nóia (AL), após participarem da Romaria de Nossa Senhora das Candeias, em uma região conhecida pela estátua gigante do Padre Cícero.
De acordo com a perícia, o ônibus saiu da pista ao fazer uma curva, caiu em uma ribanceira com mais de cinco metros de altura e tombou às margens da via. O acidente aconteceu na rodovia AL-220, em um trecho conhecido como “Curva do S”.
“O ônibus, de placa JJB-3D75, não possui habilitação na ANTT. Não possui Certificado de Segurança Veicular (CSV) ou seguro de responsabilidade civil vigente. Além disso, não havia Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado”, diz a nota oficial.
Em contato com a produção da TV Band, o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino Filho, afirmou que o ônibus foi locado pelo município por meio de licitação, que previa o serviço de 17 veículos para o transporte de ida e volta de cerca de 800 romeiros ao Ceará.
No entanto, o gestor contesta a informação divulgada pela ANTT de que o veículo operava de forma clandestina e afirma que os ônibus foram contratados pelo município seguindo a legislação.
“Essa viagem custa para o município cerca de R$ 250 mil a R$ 260 mil. Todo o processo precisa ser licitado, obrigatoriamente, com todas as documentações apresentadas. Ocorreu tudo certo, dentro dos conformes legais. Os ônibus eram novos e executivos, com ar-condicionado, televisão e banheiro”, afirmou o prefeito.
Nas redes sociais, a empresa Preto Tur, operadora do ônibus envolvido na ocorrência, lamentou o acidente.
“A Preto Tur manifesta seu profundo pesar pelo grave acidente ocorrido envolvendo um de nossos veículos. Nos solidarizamos com as famílias enlutadas, com os feridos e com todos os afetados por essa tragédia”, diz a nota.
A empresa informou que está prestando apoio às vítimas e colaborando com as autoridades.
Em nota, a ANTT afirmou que acompanha o caso junto aos órgãos competentes e que segue com ações de fiscalização para coibir o transporte clandestino no país.




