A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na madrugada deste sábado (3) desconhecer o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ela exigiu uma “prova de vida” de ambos após o ataque dos Estados Unidos ao país caribenho.
“Donald Trump diz que Nicolas Maduro e sua esposa foram capturados. Ainda conforme o presidente dos EUA, eles foram “levados para fora do país”. O governo venezuelano não comentou a suposta captura, mas classificou os ataques como uma “grave agressão militar”, diz Delcy Rodríguez.
Primeiras explosões foram ouvidas em Caracas por volta das 3h da madrugada (horário de Brasília). Além da capital Caracas, há registros de ataques nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, segundo o governo local. Em comunicado oficial, estado venezuelano diz que as explosões atingiram áreas civis e militares.
Até agora, não há confirmação oficial sobre vítimas ou danos, mas a tensão cresce com o risco de escalada militar no continente. Analistas alertam para impactos diretos na economia regional, especialmente no preço do petróleo, e para possíveis reflexos diplomáticos no Brasil, que mantém relações comerciais com a Venezuela e depende da estabilidade na fronteira norte.
Sucessora de Maduro diz que “planos de defesa da nação” permanecem ativos. A vice-presidente chamou de “gravíssima agressão militar” a ação dos EUA.
Colômbia critica ataques dos EUA a Caracas
Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenaram os ataques dos Estados Unidos à Venezuela. Petro pediu uma reunião imediata da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da ONU para avaliar a legalidade internacional da ação.
Ataques foram confirmados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em sua rede social. O governo venezuelano decretou “estado de emergência”.
Colômbia anunciou o envio de “forças públicas” para a fronteira para atendimentos “caso haja um grande fluxo de refugiados”. Além disso, informou que a Embaixada da Colômbia na Venezuela “está respondendo ativamente aos pedidos de ajuda de colombianos na Venezuela”.
Rússia e Irã condenam ataque dos EUA à Venezuela
A Rússia condenou a ação militar dos EUA na Venezuela neste sábado (3), afirmando que não havia justificativa para o ataque e que a “hostilidade ideológica” prevaleceu sobre a diplomacia.
“Na manhã de hoje, os Estados Unidos cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável”, disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado. “A hostilidade ideológica triunfou sobre o pragmatismo dos negócios”, acrescentou Moscou, afirmando também que a América Latina deve permanecer uma “zona de paz”.
O presidente americano Donald Trump afirmou neste sábado que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados após ataque à Venezuela. O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma “agressão militar” dos EUA após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da situação, o país declarou estado de emergência.
Em comunicado de seu Ministério das Relações Exteriores, a Espanha se ofereceu como negociadora para ajudar a encontrar uma solução pacífica na Venezuela.
O Irã, aliado de Caracas, também condenou o ataque militar dos EUA à Venezuela, classificando-o de “uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial” e pedindo que o Conselho de Segurança da ONU “aja imediatamente para interromper a agressão ilegal”.
O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha disse que observa a situação na Venezuela com grande preocupação. Um texto escrito obtido pela agência de notícia Reuters disse que o ministério está em contato próximo com a embaixada em Caracas e que uma equipe de crise se reunirá mais tarde neste sábado.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu moderação na Venezuela e afirmou que conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o embaixador do bloco europeu em Caracas. “A UE está monitorando de perto a situação na Venezuela”, escreveu em seu perfil no X.
“A UE repetidamente declarou que o Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados”, disse Kallas.
Na América Latina, a única reação de apoio ao ataque até agora veio do presidente da Argentina, Javier Milei, em declaração no X: “A liberdade avança. Viva a liberdade, c…”.
O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, escreveu que o país “exige uma reação urgente da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América”.
“Condenamos veementemente o bombardeio dos EUA à Venezuela. Trata-se de um ato brutal de agressão imperial que viola sua soberania. Nossa total solidariedade ao povo venezuelano em sua resistência”, afirmou o ex-presidente da Bolívia Evo Morales em suas redes sociais.
Com informações da Reuters




