O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou recentemente o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que ele permanecesse internado em hospital até a análise definitiva do pedido de prisão domiciliar humanitária. A decisão, proferida nesta quinta-feira (1), determina que Bolsonaro retorne à custódia da Polícia Federal após a sua liberação médica.
Requerimento de prisão domiciliar
A solicitação foi apresentada pela defesa na noite de 31 de dezembro, justificando que o ex-presidente deveria continuar no hospital para evitar sua transferência à Superintendência da Polícia Federal enquanto o pedido de prisão domiciliar estava pendente de análise. Os advogados alegaram que a condição clínica de Bolsonaro continuava em evolução e que a situação exigia acompanhamento médico contínuo.
Justificativa da decisão de Moraes
Ao analisar o requerimento, Moraes afirmou que a defesa não havia apresentado novos fatos que pudessem alterar os fundamentos da decisão anterior, que já tinha negado a prisão domiciliar humanitária em 19 de dezembro. Segundo ele, não houve agravamento do estado de saúde de Bolsonaro, mas sim uma melhora nos desconfortos relatados, conforme indicam laudos médicos do próprio ex-presidente.
“O quadro clínico é de melhora dos desconfortos que estava sentindo, após a realização das cirurgias eletivas”, escreveu Moraes, refutando as alegações feitas pela defesa.
Condutas e cuidados na Superintendência da Polícia Federal
No despacho, o ministro também ressaltou que todas as prescrições médicas mencionadas pelos advogados podem ser cumpridas integralmente na Superintendência da Polícia Federal. Desde o início do cumprimento da pena, foi determinado um plantão médico 24 horas por dia, com acesso a médicos particulares, medicamentos necessários, fisioterapeutas e alimentação preparada por familiares.
Moraes reiterou ainda que os requisitos legais para a concessão de prisão domiciliar não estavam presentes no caso de Bolsonaro, citando “reiterados descumprimentos de medidas cautelares” e “atos concretos visando à fuga”, como a destruição dolosa de tornozeleira eletrônica. Esses fatores serviram como base para a manutenção do regime fechado do ex-presidente.
Condenação e cumprimento de pena
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre pena em regime fechado. Com a decisão proferida nessa quinta-feira, Moraes determinou que, após a liberação médica, o ex-presidente deve retornar ao cumprimento da pena na sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal, situada no Distrito Federal.
Essa situação continua a gerar repercussão no cenário político brasileiro, uma vez que a defesa de Bolsonaro e a decisão do ministro refletem o tenso clima que permeia o debate sobre a Justiça e a política no Brasil.
Com a negativa de Moraes, resta saber como serão os próximos passos da defesa do ex-presidente e quais serão as implicações dessa decisão nos desdobramentos de sua pena.




