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Femama tem novo presidente após quase duas décadas e expande escopo de atuação

Depois de 19 anos, a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) terá um novo presidente. A fundadora Maira Caleffi deixa o cargo e o posto passa a ser ocupado por Luiz Ayrton Santos Júnior, mastologista e bioeticista que também é fundador e esteve presente na organização no mesmo período.

 

 

A cerimônia de posse ocorre somente em março de 2026, mas na última quarta-feira (26), durante o 12º Fórum de Controle do Câncer na Mulher, houve o anúncio oficial da transição do cargo. O momento marca uma nova fase da Federação, que atinge, de acordo com Caleffi, um grau de maturidade suficiente para que ela possa deixar o posto.

“Tentamos dividir o cargo anteriormente, mas a Femama ainda não estava pronta para isso. Nos últimos anos, estivemos estudando estatutos no mundo inteiro para ver a melhor forma de fazer essa transição, dentro de uma organização com presidente solo que teve apoio jurídico importante e sempre ocorreu por meio de eleições”, explica a fundadora, que seguirá no conselho da organização.

Mais de 70 entidades pelo Brasil fazem parte da Federação e, ao longo da história da Femama, buscaram pautas comuns para defender junto ao Congresso Nacional e ao governo federal. Em 2026, fazem parte da agenda a aprovação do projeto de lei que obriga a realização de teste genético para risco de câncer e a navegação de pacientes.

“Estarei à frente por dois anos e, logo em seguida, teremos outra presidente, e assim sucessivamente. É muito importante para que a instituição respire e se torne realmente democrática. Não podemos passar tanto tempo com uma presidência só. As mudanças foram estabelecidas para que isso acontecesse e a sua solidificação”, afirma o novo presidente, Luiz Ayrton Santos Júnior.

Além da mudança de presidente, o estatuto da Federação foi alterado para ampliar seu escopo de atuação. Segundo Caleffi, apesar de o país avançar em alguns tipos de cânceres, temas como câncer de pulmão e colorretal possuem gargalos quando atingem o público feminino. Assim, a entidade pode contribuir com pacientes.

“Também estamos criando um mundo novo, agregando pacientes transgêneros que estão envolvidos de modo especial ao câncer de mama. Os padrões de adoecimento são diferentes, tanto em pessoas trans masculinas quanto trans femininas. Esse cenário amplia as preocupações da Femama”, observa Santos Júnior.

Pautas da Femama
O novo presidente seguirá buscando avançar com as pautas principais da Femama. Em 2025, a atenção girou em torno da implementação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), testes genéticos e de navegação de pacientes oncológicos na saúde pública. Elas seguirão no escopo da Federação.

“A principal prioridade é a questão da genética e estamos muito perto de chegar lá. Durante o Outubro Rosa conseguimos emplacar o projeto de lei na Câmara, mas ele não chegou a ser aprovado no Senado. Esse foco certamente continuará”, explica Caleffi.

A implementação da política do câncer também é outra pauta que segue na agenda. Apesar das portarias terem sido publicadas, a fundadora aponta que é preciso acompanhar sua aplicação na prática. Também explica que a publicação de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de diferentes tipos de câncer é importante para isso.

“A navegação se faz dentro das organizações de pacientes, mas ela precisa estar também dentro dos centros de câncer. Como o sistema é muito fragmentado, o paciente vai e volta, perdendo muitas oportunidades de cura. A política da navegação caminhou, está agora na última fase de publicação de um projeto muito interessante liderado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC)”, afirma a fundadora.

Novo presidente da Femama
Também fundador da Femama, Luiz Ayrton foi organizador da Fundação Maria Carvalho Santos, que atua desde 1998 no Piauí oferecendo serviços gratuitos para pacientes com câncer de mama, além de atuar no diagnóstico precoce da doença na população. Também esteve do outro lado do balcão, atuando na gestão pública.

“Fui secretário de Saúde de Teresina e também não é fácil, porque as coisas são amarradas. Não tem total liberdade de fazer o que se quer. O que me preocupa é que existe um SUS, mas existem vários gestores de SUS e cada um com seu espírito é capaz de avançar em determinada região que lhe é gerenciada ou não. Não há uma fórmula”, observa o presidente.

Luiz Ayrton também avalia que apesar de algumas leis e alterações no cuidado com o câncer serem aprovadas, ainda há desafios para sua execução na prática. É o caso da cirurgia de reconstrução mamária. Mesmo incorporada ao SUS, o valor destinado aos hospitais é abaixo do necessário, e é preciso dialogar com o Ministério para rever o tema. “O papel da Femama é contínuo”, aponta.

Sendo o primeiro presidente homem da Femama, após quase duas décadas com uma mulher à frente da organização, a avaliação de Maira Caleffi é que não há mudanças no trabalho, e o nome de Luiz Ayrton foi bem recebido na avaliação das organizações membros.

“O impacto disso [ser um homem] é zero. Até pelo histórico que o Luiz Ayrton tem, com uma formação de mastologista e cirurgião de longa data como eu. São mais de 40 anos dedicados à saúde da mulher”, observa a fundadora. Entre os principais legados da entidade, Maira aponta que a lei dos 60 dias é uma das principais vitórias.

“Já fomos muito criticados não só pelas sociedades médicas, mas por gestores também. Questionam o que adianta ter leis se elas não vêm com orçamento, que ainda são muito utópicas. Mas se não tivéssemos construído, a lei dos 60 dias não estaria sendo utilizada como um índice de performance da Organização Mundial da Saúde”, avalia.

Fonte: Ascom

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