A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (18) a Operação Compliance Zero, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O foco principal da ação é a alta cúpula do Banco Master, investigada pela fabricação de carteiras de crédito fictícias e gestão fraudulenta.
A operação é um desdobramento de investigações iniciadas em 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a PF, o esquema envolvia a manipulação de dados contábeis para simular solidez financeira, permitindo a venda de títulos “podres” para outras instituições bancárias.
Ao todo, os agentes cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
Prisão de Daniel Vorcaro e suspeita de fuga
O alvo mais proeminente da operação é Daniel Bueno Vorcaro, presidente do Banco Master. Ele foi detido no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. De acordo com informações da Polícia Federal, há suspeitas de que o executivo tentava deixar o país em um avião particular no momento da abordagem.
Após a prisão, Vorcaro foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
Quem é Daniel Vorcaro?
Nascido em Belo Horizonte (MG) em 1983, Vorcaro é formado em Economia com MBA em Finanças pelo IBMEC. Ele assumiu o controle do antigo Banco Máxima e liderou sua reestruturação a partir de 2018, transformando-o no atual Banco Master.
Sob sua gestão, a instituição buscou uma imagem de modernidade e expansão agressiva no mercado de crédito e investimentos. Recentemente, o nome de Vorcaro também ganhou noticiário esportivo por adquirir parte da SAF do Atlético-MG.
O esquema
A investigação aponta para um esquema sofisticado de fraude contábil e financeira. De acordo com a PF, a instituição teria fabricado carteiras de crédito insubsistentes — ou seja, ativos sem valor real de recuperação.
Esses títulos fraudulentos teriam sido vendidos a outros bancos para captar recursos. Quando o Banco Central (BC) realizava fiscalizações, os ativos problemáticos eram substituídos por outros, também sem a devida avaliação técnica, para mascarar o rombo e ludibriar os reguladores.
Os investigados responderão, na medida de suas participações, por crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Quem são os outros diretores investigados
Além de Daniel Vorcaro, a operação Compliance Zero mirou outros executivos estratégicos da instituição. Confira quem são os alvos dos mandados de prisão:
- Luiz Antônio Bull: Diretor responsável por áreas críticas de controle, acumulando as funções de riscos, compliance, recursos humanos, operações e tecnologia.
- Alberto Felix de Oliveira Neto: Superintendente executivo de Tesouraria, setor chave para a gestão dos ativos e liquidez do banco.
- Augusto Ferreira Lima: Ex-CEO do Banco Master, que ocupou o cargo até o início das negociações para a venda da instituição.
A Justiça também expediu um mandado de prisão preventiva contra Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, diretor do banco. Até o fechamento desta reportagem, a confirmação de sua detenção ainda não havia sido oficializada.
Prisões Temporárias: Outros dois investigados tiveram a prisão temporária decretada para auxiliar no andamento das investigações:
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia;
- Henrique Souza e Silva Peretto.
Impactos no mercado: Liquidação do Banco Master
A operação da Polícia Federal ocorre em paralelo a uma decisão drástica do órgão regulador. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando suas atividades devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira e à existência de graves violações às normas legais.
A ação também teve reflexos em outras instituições. Paulo Henrique Costa, presidente do BRB (Banco de Brasília), foi afastado do cargo no contexto das apurações que envolvem o mercado financeiro e as conexões com o esquema investigado.




