Teresina • quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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Brasileira presa em Bali com cocaína líquida pode pegar prisão perpétua

Segundo a polícia de Bali, a apreensão está entre as maiores desse tipo realizadas na ilha nos últimos anos

Por admin 22 de outubro de 2026 5 min de leitura
Bandeira da Indonésia Freepik

Uma brasileira de 36 anos foi presa em 6 de outubro, após desembarcar no Aeroporto Internacional Ngurah Rai, em Bali, na Indonésia, com cerca de 3,6 kg de cocaína líquida escondidos em frascos de xampu e outros cosméticos. Ela pode ser condenada à prisão perpétua ou à pena de morte, prevista na legislação do país para crimes relacionados ao tráfico de drogas.

A Indonésia mantém uma das legislações antidrogas mais rigorosas do mundo. Uma moratória de dez anos sobre a aplicação da pena de morte expirou em julho de 2026, mas ainda não há definição sobre sua renovação, segundo o advogado Gustavo Paiva, que acompanha o caso.

O Ministério das Relações Exteriores informou que presta assistência consular à brasileira por meio da Embaixada do Brasil em Jacarta, após solicitação da família. A mulher permanece detida enquanto aguarda os procedimentos judiciais.

Droga foi encontrada em frascos de cosméticos

Durante a fiscalização da bagagem, agentes localizaram a cocaína líquida distribuída em sete frascos de produtos de higiene pessoal. Segundo a polícia de Bali, a apreensão está entre as maiores desse tipo realizadas na ilha nos últimos anos.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelas autoridades mostram a brasileira caminhando pelo aeroporto antes de ser encaminhada para a revista. De acordo com a polícia, a droga teria sido disfarçada em embalagens de uso cotidiano para tentar evitar a detecção durante a fiscalização.

Em depoimento, a brasileira teria afirmado que receberia US$ 50 mil, aproximadamente R$ 250 mil, pelo transporte do entorpecente. A entrega seria feita a uma pessoa identificada apenas como G., em Bali. As autoridades investigam a possível participação de outras pessoas no esquema e procuram o suposto destinatário.

Confissão pode ser considerada no julgamento

O advogado Gustavo Paiva afirmou ao Estadão que a confissão e a colaboração com as autoridades podem ser consideradas na avaliação do caso. Por outro lado, a quantidade de droga apreendida e a forma de ocultação também podem influenciar a análise judicial.

“O formato do entorpecente no estado líquido e a forma elaborada para esconder a droga sugerem uma organização usando um esquema profissional para tentar burlar o sistema penal da Indonésia. Isso, se comprovado, é visto lá como agravante”, afirmou.

A investigação também apura as viagens anteriores da brasileira à Indonésia. Segundo Paiva, ela teria visitado o país outras duas vezes, e as autoridades procuram esclarecer os motivos dos deslocamentos e uma possível relação com o caso.

O advogado informou que a família da brasileira mora em Cascavel, no Paraná, e já contratou um representante jurídico. Segundo ele, os pais e o irmão estão apreensivos e não se sentem em condições de falar com a imprensa.

“O pai e a mãe são aposentados e ela morava com eles. São pessoas que levavam uma vida bem tranquila e agora estão às voltas com esse problema. Eles já mobilizaram as autoridades brasileiras em busca de ajuda”, relatou.

Paiva afirmou ainda que o processo pode levar de um ano a um ano e meio até o trânsito em julgado, quando a decisão se torna definitiva. Segundo ele, a brasileira deve contar com assistência jurídica durante todas as etapas.

Dois chilenos também foram presos em Bali

No dia 11 de outubro, dois cidadãos chilenos foram presos no mesmo aeroporto com 4,5 kg de cocaína, segundo o advogado. Eles desembarcaram em um voo procedente da Austrália e transportavam a droga em mochilas.

“Isso mostra que as autoridades indonésias estão atentas a esse tipo de crime, que eles consideram muito grave”, afirmou Paiva.

Brasileiros já foram executados por tráfico na Indonésia

Em janeiro de 2015, o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira foi executado por fuzilamento na Indonésia, após ser condenado por tráfico de drogas. Ele havia sido flagrado com cocaína escondida na estrutura de uma asa-delta.

Em abril de 2015, o paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte também foi executado por fuzilamento. Ele havia sido condenado por tentar entrar no país com cocaína escondida em pranchas de surfe.

A última execução por crimes relacionados a drogas na Indonésia ocorreu em julho de 2016, quando um cidadão indonésio e três nigerianos condenados foram mortos por fuzilamento.

Outros brasileiros presos por tráfico no país receberam penas de prisão. Em junho de 2023, Manuela Vitória de Araújo Farias, então com 19 anos, foi condenada a 11 anos de prisão após ser detida em Bali com cocaína. Segundo informações divulgadas sobre o caso, a Justiça considerou que ela havia sido enganada pelos traficantes.

Em fevereiro de 2026, Yuri Bezerra da Costa, de 25 anos, foi condenado a 18 anos de prisão e ao pagamento de multa de US$ 57 mil, cerca de R$ 285 mil. Ele havia sido preso em julho de 2025, no aeroporto de Bali, com aproximadamente 3 kg de cocaína.

 

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