Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) pediram ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão imediata da transferência dos direitos de ocupação de um imóvel da União na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, à WT Administração de Imóveis e Bens S/A, dirigida pelo advogado Willer Tomaz.
A petição aponta possíveis irregularidades no processo conduzido pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo os parlamentares, o pedido foi apresentado em nome da antiga ocupante dez dias após a contratação da venda e incluiu uma declaração de ocupação familiar que, de acordo com os documentos apresentados, não correspondia à realidade.
Veja a ilha milionária que virou alvo de disputa envolvendo Richarlison
O procedimento foi concluído em pouco mais de dois meses, sem parecer ou decisão devidamente fundamentada. Já um requerimento anterior, apresentado pela empresa que ocupava o local, permaneceu sem solução por anos. A transferência à WT foi concluída em 2022.
Os deputados pedem que os fatos sejam apurados no contexto do inquérito sob relatoria de Moraes, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.
A petição solicita esclarecimentos sobre a origem dos recursos, a participação da empresa na operação, uma eventual influência política junto à SPU e a atuação dos servidores responsáveis pelo processo.
Entre as medidas solicitadas estão a suspensão da transferência, a indisponibilidade dos direitos de ocupação e a adoção de providências pela SPU para anular o ato e reverter os direitos à União.
Os parlamentares também pedem a oitiva de Alencar da Silveira Júnior, do jogador Richarlison, de servidores públicos e de pessoas ligadas às empresas envolvidas.
Entenda
Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição e em melhorias do imóvel. O jogador acusa o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, de ter obtido os direitos sobre a propriedade de maneira irregular.
Willer contesta as acusações e sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos sobre o imóvel. Flávio Bolsonaro também nega envolvimento na negociação.
Nesta quarta-feira (21), Richarlison divulgou documentos que, segundo ele, comprovam a aquisição dos direitos sobre a propriedade. A apresentação dos registros não encerra a disputa judicial.
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