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Medo de operações do ICE nos EUA ameaça participação de brasileiros nas eleições, diz advogado

Operações migratórias preocupam brasileiros nos EUA e podem afastar eleitores das urnas; advogado explica riscos e orienta sobre direitos

Por admin 24 de setembro de 2026 4 min de leitura
Protesto contra o ICE após agente atirar em imigrante venezuelano Crédito: Foto por RONALDO SCHEMIDT / AFP

Em entrevista ao O POVO, o advogado e especialista em Direito Imigratório Bruno Lossio falou sobre como o medo de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) tem levado parte da comunidade brasileira a restringir atividades cotidianas e pode afetar a participação nas eleições de 2026.

A preocupação envolve especialmente imigrantes sem situação migratória irregular, mas também alcança brasileiros com documentação válida nos Estados Unidos. Nas eleições deste ano,

O receio não se limita ao dia da votação. Bruno afirma que as operações têm provocado mudanças na rotina de brasileiros que vivem nos EUA.

O aumento das ações do ICE tem levado brasileiros que estão em situação irregular nos EUA, mas também os que estão em situação regular, a terem receios de sair às ruas, a terem receios de fazer compromissos básicos, como, por exemplo, levar as crianças para escola, ir ao médico. Bruno Lossio – advogado e especialista em Direito Imigratório 

O advogado afirma que percebe preocupação principalmente em regiões como na Flórida e em Boston, onde, segundo ele, há operações mais frequentes. Esse temor também se estende aos locais de votação, que podem reunir um número elevado de brasileiros no mesmo espaço.

Relatos de detenções ampliam o temor

Parte da apreensão vem de episódios em que autoridades migratórias foram acusadas de deter pessoas sem antecedentes criminais nos Estados Unidos.

Em 23 de janeiro de 2025, de acordo com a BBC News Brasil, o prefeito de Newark, em Nova Jersey, Ras Baraka, afirmou em comunicado que agentes do ICE entraram em um estabelecimento local e detiveram moradores sem documentos e cidadãos norte-americanos, sem apresentar mandado.

Cinco dias depois, em 28 de janeiro, a então porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou, durante a primeira coletiva de imprensa do novo governo, que pessoas que entraram irregularmente nos Estados Unidos e violaram as leis do país seriam consideradas criminosas.

Ela também afirmou que o presidente Donald Trump pretendia remover imigrantes sem documentação, incluindo aqueles sem registros criminais.

Os episódios contribuíram para o clima de insegurança relatado por imigrantes. No entanto, a possibilidade de uma abordagem em um local de votação não significa que todos os eleitores estejam sujeitos a detenção, nem que votar seja, por si só, motivo para uma ação migratória.

Aglomeração em seções gera preocupação

De acordo com Lossio, o comparecimento às urnas não é, por si só, uma causa de detenção. O receio está relacionado à possibilidade de uma operação migratória ocorrer na região onde os brasileiros estiverem reunidos.

“Os brasileiros que estão votando não serão detidos porque estão saindo de casa para realizar o direito de voto. Eles podem ser detidos se tiver alguma operação do ICE prevista para aquela região”, explica.

Ele pondera que uma ação direcionada a um local de votação poderia gerar consequências diplomáticas, mas afirma que não é possível descartar a preocupação com abordagens nas proximidades. Nessa situação, pessoas poderiam ser submetidas à conferência de documentos e, caso fosse identificada irregularidade migratória, eventualmente detidas.

O especialista ressalta, porém, que não há informação de que uma operação do tipo esteja programada para os locais de votação brasileiros. A hipótese mencionada por ele se refere ao temor provocado pela concentração de pessoas.

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