O cantor Alexandre Pires foi alvo de mandado de busca e apreensão, na manhã desta quarta-feira, 23, em uma operação da Polícia Federal que investiga uma organização criminosas que movimenta recursos provenientes da extração e comércio ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A informação é do jornal O Globo.
A suspeita é de que o artista integre o grupo. Com isso, foram realizadas buscas em endereços associados à ele. Além dele, também são alvos o advogado Diego Possebon e o empresário Matheus Possebon, que trabalha com o cantor.
Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais de sequestro de bens e valores, expedidos pela Justiça Federal. A ação tem como objetivo obter provas, interromper as atividades ilícitas e recuperar ativos supostamente vinculados aos fatos investigados.
Ao Terra, a defesa de Alexandre Pires afirmou que a relação profissional mantida com o empresário Matheus Possebon “esteve restrita à intermediação da venda de shows do artista à época”, e que não houve “qualquer outra relação jurídica ou comercial” entre os dois além da atividade artística do cantor.
“Eventuais fatos investigados pela Polícia Federal que estejam fora desse contexto dizem respeito exclusivamente a atos atribuídos ao citado empresário, praticados fora de sua atuação como intermediador na venda de shows de Alexandre Pires. O cantor segue com tranquilidade sua vida pessoal e profissional, confiante no esclarecimento dos fatos e certo de que a verdade será devidamente demonstrada”, finaliza.
A reportagem não localizou a defesa dos demais investigados.

Operação Disco de Ouro
A operação é um desdobramento de uma ação da PF deflagrada em janeiro de 2022, quando 30 toneladas de cassiterita, extraídas da Terra Indígena Yanomami, foram encontradas na sede de uma empresa investigada e estariam sendo preparadas para serem enviadas para o exterior.
O inquérito policial indica que o esquema seria voltado para a “lavagem” de cassiterita, retirada ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, mas declarada como originária de um garimpo regular no Rio Tapajós, em Itaituba (PA) e supostamente transportada para Roraima para tratamento. As investigações apontam que tal dinâmica ocorreria apenas no papel, já que o minério teria origem no próprio Estado de Roraima.
Ao longo das investigações, a polícia encontrou movimentação e para a ocultação de recursos que ultrapassam US$ 48 milhões, cerca de R$ 246 milhões na cotação atual, por meio de empresas nacionais e estrangeiras, operações financeiras internacionais, contas de terceiros e mecanismos informais de compensação financeira.
Em dezembro de 2023, Alexandre Pires foi alvo da primeira fase da Operação Disco de Ouro. Na época, Matheus Possebon foi preso preventivamente ao desembarcar de um cruzeiro atracado no Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
Caso seja comprovada a participação, os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de capitais, organização criminosa, falsidade ideológica, operação irregular de instituição financeira e demais infrações penais eventualmente identificadas no curso das investigações.




