O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União) é um dos alvos de uma operação contra a infiltração do PCC em empresas de ônibus e no poder público na manhã desta quinta-feira (17).
Segundo a Polícia Civil, a maioria dos alvos da Operação Vectura Corrupta exerce função de liderança dentro da facção. São cumpridos 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão na ação deflagrada pela corporação e pelo Ministério Público de São Paulo, após decisão do desembargador Sergio Ribas, do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), na capital, em Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Até o começo da tarde de hoje, dez dos 13 alvos de mandado de prisão foram cumpridos. Oito homens e duas mulheres foram levados para a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de MogI das Cruzes
Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira e o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) estão entre os alvos de mandos de prisão temporária (prazo de 30 dias). Outros supostos intermediários de interesses do PCC e advogados também estão na lista das pessoas com prisão decretada.
Apontado como o verdadeiro dono da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para a facção, Leite não foi encontrado até o momento pela polícia. Caso não se apresente às autoridades em breve, o político será considerado foragido, apurou a reportagem. Ao UOL, ele disse que vai se entregar e que é inocente (veja mais abaixo).
Dois advogados também foram alvos da ação: Milton Mello Milreu e Cícero José dos Santos Filho. Santos Filho usava o seu escritório como sede para reuniões de membros do PCC, segundo a investigação. Milreu, por sua vez, seria responsável pela captação de empresas para a organização criminosa.
A ação é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Na época, os trabalhos revelaram uma rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes presos e em liberdade, com núcleos denominados “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar integrantes como candidatos nas eleições municipais.
O que dizem os alvos
O ex-vereador disse que está no interior de São Paulo em compromissos pessoais e campanha dos filhos, que são deputados e tentam se reeleger, e que vai se entregar em até 24 horas. Leite nega “veementemente” as suspeitas que embasaram o mandado de prisão. “Não sou dono de empresa de ônibus e só assumi uma interlocução na SPTrans a pedido do Bruno Covas (ex-prefeito morto em 2021), por causa da greve de 2019. Não tem nada de ilegal. Vou me apresentar ainda hoje porque não devo nada”, disse o político.
A Câmara Municipal de São Paulo diz acompanhar os desdobramentos do caso. “A Câmara Municipal de São Paulo acompanha os desdobramentos das investigações promovidas pelo Ministério Público, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, aguardando as conclusões”, diz a nota.
Já a defesa do ex-presidente da SP Trans diz ter sido surpreendida com a prisão. Os advogados de Levi de Oliveira afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo, nem aos motivos que levaram à decisão judicial, mas destacou que ele não possui antecedentes criminais e “construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área.”
Com informações da Reuters




